Barry Callebaut coloca Brasil entre mercados prioritários em plano para retomar crescimento

Maior fabricante de chocolate do mundo quer melhorar a operação, ampliar a oferta de ingredientes e voltar a ganhar volume após um período de queda nas vendas

A Barry Callebaut está reorganizando sua estratégia para recuperar o crescimento. Em apresentação a investidores na conferência do Barclays, em Boston, o CEO Hein Schumacher descreveu a mudança como uma revisão ampla das prioridades da companhia: melhorar a qualidade e o atendimento aos clientes, concentrar investimentos nos mercados mais promissores e vender soluções que vão além do chocolate. O Brasil está entre os dez países prioritários do plano.

Batizada de Focus for Growth, a estratégia foi anunciada em junho, após um período de dificuldades operacionais e forte volatilidade no mercado de cacau. Para a Barry Callebaut, recuperar a confiança dos clientes depende primeiro de entregar os produtos no prazo, na quantidade solicitada e com qualidade consistente. A companhia também pretende direcionar mais recursos ao segmento gourmet e a ingredientes especiais, como recheios e inclusões usados pela indústria de alimentos.

A mudança amplia o papel que a empresa quer ocupar junto aos fabricantes. Em vez de fornecer apenas chocolate, a Barry Callebaut pretende participar da criação de produtos completos, combinando diferentes ingredientes e soluções para categorias como sorvetes e panificação. A aposta é que esse modelo aproxime a companhia dos clientes e aumente a participação de produtos de maior valor em suas vendas.

O primeiro sinal de recuperação apareceu nos volumes, mas ainda não representa uma virada consolidada. No terceiro trimestre do ano fiscal 2025/26, as vendas em volume do grupo cresceram 5,7%, pela primeira vez em mais de dois anos. No acumulado dos nove primeiros meses, porém, o volume ainda registrava queda de 2,8%, para 1,56 milhão de toneladas. A companhia atribuiu parte da melhora trimestral à recuperação da demanda por produtos de cacau após a correção dos preços da matéria-prima.

Para o Brasil, há duas frentes a acompanhar. A primeira é comercial: a Barry Callebaut identifica o país como um mercado em que pretende ganhar participação entre fabricantes de alimentos. A segunda é o abastecimento. Segundo a estratégia apresentada pela companhia, diversificar as origens de compra de cacau faz parte do esforço para reduzir riscos de fornecimento, com atenção também ao Brasil e ao Equador. Isso indica interesse estratégico, mas não equivale ao anúncio de novos volumes de compra de amêndoas brasileiras.

No médio prazo, a Barry Callebaut estabeleceu como objetivo voltar a crescer entre 2% e 4% ao ano em volume. Até lá, o desempenho dependerá tanto da execução do plano quanto da recuperação da demanda por chocolate. O resultado do terceiro trimestre mostra avanço dentro da companhia; os próximos balanços indicarão se ele se sustenta em um mercado consumidor ainda pressionado pelos preços

Fonte: mercadodocacau com informações confectionerynews

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