Chuvas abaixo da média ameaçam desenvolvimento do cacau na Costa do Marfim

A redução das chuvas nas principais regiões produtoras de cacau da Costa do Marfim começa a aumentar as preocupações com o desenvolvimento da safra principal. Na última semana, a precipitação ficou abaixo da média em grande parte do país, enquanto algumas áreas não registraram chuvas.

A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, atravessa a estação chuvosa, que normalmente se estende de abril até meados de novembro. Apesar disso, produtores relatam que a falta de umidade já está prejudicando uma nova formação de frutos pequenos, que deverá compor parte da produção colhida no próximo ano.

Segundo os agricultores, alguns desses frutos estão caindo das árvores antes de completar o desenvolvimento. Caso o período seco continue até meados de outubro, a redução da disponibilidade de cacau poderá se tornar mais significativa.

“Se as chuvas não forem regulares antes de meados de outubro, a colheita da safra principal terminará em dezembro”, afirmou o produtor Kouassi Kouame, da região de Soubre, no oeste do país, onde não houve registro de precipitação na semana passada.

Condições semelhantes foram relatadas nas regiões de Agboville, no sul, Abengourou, no leste, e Divo, também no sul. As chuvas ficaram muito abaixo da média em Agboville e Abengourou, enquanto Divo não registrou precipitação durante a semana.

Apesar da preocupação climática, os produtores esperam um aumento significativo da colheita a partir da próxima semana, com volumes mais elevados chegando ao mercado até dezembro. O risco está principalmente na continuidade da safra e no desenvolvimento dos frutos que deverão ser colhidas mais adiante.

Além da falta de umidade no solo, os agricultores também demonstraram preocupação com a qualidade das amêndoas atualmente colhidas. A combinação entre poucas chuvas e céu nublado tem dificultado a secagem adequada dos grãos, o que pode aumentar os riscos de fermentação inadequada, mofo e perda de qualidade.

Na região centro-oeste de Daloa, onde as chuvas também ficaram abaixo da média, uma precipitação registrada no início desta semana renovou as expectativas de melhora. A região recebeu apenas 3,6 milímetros na semana passada, volume 26,1 milímetros inferior à média histórica.

Produtores das regiões centrais de Bongouanou e Yamoussoukro também afirmaram que novas chuvas serão necessárias para sustentar a produção à medida que a colheita acelera. As temperaturas médias semanais nas áreas produtoras variaram entre 25,6°C e 29,7°C.

Embora as entradas de cacau na Costa do Marfim estejam aumentando e contribuindo para uma percepção de oferta confortável no curto prazo, o comportamento das chuvas até meados de outubro será decisivo para a duração da safra principal. Se a irregularidade persistir, o mercado poderá voltar a incorporar um prêmio climático diante do risco de queda prematura dos frutos e redução da oferta no começo de 2027.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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