Compradores de cacau de Gana cobram US$ 349 milhões da COCOBOD antes da nova safra

Compradores licenciados de cacau de Gana aguardam o pagamento de cerca de 4 bilhões de cedis, aproximadamente US$ 349 milhões, devidos pela Ghana Cocoa Board (COCOBOD), órgão regulador do setor, referentes à última temporada. A associação que representa essas empresas afirma que os valores precisam ser quitados antes do início da nova safra para garantir a continuidade das compras junto aos produtores.

A Câmara de Comerciantes de Cacau de Gana, que reúne compradores licenciados, também demonstrou preocupação com a disponibilidade de recursos para financiar as aquisições na próxima temporada.

“Até agora, não vimos nenhum financiamento visível ou confiável que demonstre que a COCOBOD está preparada para a inauguração, mas precisamos de dinheiro, e muito, para poder comprar cacau”, afirmou à Reuters o CEO da entidade, Vitus Dzah.

A COCOBOD não respondeu ao pedido de comentário feito pela agência.

Os compradores licenciados ocupam uma posição importante na cadeia de comercialização do cacau em Gana. Eles compram as amêndoas diretamente dos produtores e posteriormente entregam o produto à COCOBOD, que fica responsável pela comercialização para processadores e comerciantes internacionais.

O problema é que a COCOBOD ainda não informou aos compradores licenciados a data de abertura da nova temporada.

Gana e Costa do Marfim, os dois maiores produtores mundiais de cacau, haviam concordado em harmonizar os preços pagos aos produtores e as datas de início das safras, após uma reunião entre os presidentes dos dois países em junho. A Costa do Marfim iniciou oficialmente sua temporada em 1º de setembro, enquanto Gana ainda aguarda o anúncio da COCOBOD.

Tradicionalmente, o órgão regulador garante os recursos necessários antes da abertura da temporada. Nos últimos anos, porém, o sistema de financiamento das compras de cacau passou por dificuldades.

Um acordo de empréstimo sindicado com bancos internacionais, utilizado durante décadas para financiar o setor, entrou em colapso durante a temporada 2023/24. Na safra seguinte, um modelo separado, no qual empresas comerciais internacionais antecipavam recursos para financiar as compras, também não funcionou como esperado, contribuindo para atrasos nos pagamentos aos produtores.

Em entrevista a uma rádio local na terça-feira, o chefe de relações públicas da COCOBOD, Jerome Sam, afirmou que os atrasos fazem parte de um ciclo de reembolso e que os compradores licenciados podem utilizar recursos próprios para antecipar as compras, sendo posteriormente reembolsados pela COCOBOD.

Segundo Sam, a entidade pretende se reunir com os compradores licenciados para tratar dos pagamentos pendentes.

“Todas as ações e decisões necessárias estão praticamente concluídas, e esperamos que o governo anuncie em breve a abertura da temporada”, afirmou.

Para Vitus Dzah, porém, o ponto central não é que a COCOBOD financie diretamente as empresas compradoras, mas que tenha recursos suficientes para garantir o pagamento pelo cacau entregue.

“Estamos dizendo que a COCOBOD precisa preparar e garantir o financiamento necessário para que, se formos comprar cacau e entregá-lo, recebamos o pagamento em tempo real e possamos voltar e comprar novamente”, explicou.

Fontes familiarizadas com as discussões disseram à Reuters que a COCOBOD estaria avaliando a possibilidade de levantar cerca de 2 bilhões de cedis em financiamento-ponte no mercado local.

Duas fontes ligadas a fundos de pensão e uma fonte bancária disseram que coordenadores da operação entraram em contato com essas instituições no mês passado, mas não houve novos avanços desde então.

O CEO da COCOBOD, Ransford Abbey, havia afirmado à imprensa local no mês passado que o órgão planejava captar recursos por meio de títulos locais e papéis comerciais. O ministro das Finanças também havia indicado que a COCOBOD emitiria títulos locais em três parcelas, buscando recursos junto a fundos de pensão e bancos.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

Curtiu esse post? Compartilhe com os amigos!

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram