O avanço das condições associadas ao El Niño volta a colocar o clima no centro das atenções do mercado agrícola mundial. O fenômeno, provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, pode alterar significativamente os regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões produtoras, aumentando os riscos para culturas sensíveis às oscilações climáticas, entre elas o cacau.
As preocupações ganharam força diante das projeções meteorológicas para os próximos meses. O risco não está necessariamente limitado à falta de chuva. Episódios fortes de El Niño podem provocar uma combinação de extremos, alternando excesso de precipitações, períodos de temperaturas elevadas e posteriormente condições mais secas.
Para o mercado mundial de cacau, o tema merece atenção especial. Costa do Marfim e Gana, responsáveis conjuntamente por aproximadamente metade da produção mundial, estão particularmente expostos às alterações no regime climático. O El Niño de 2023/24 mostrou como essa combinação pode ser prejudicial: inicialmente, chuvas excessivas favoreceram doenças fúngicas e, posteriormente, temperaturas elevadas e ventos Harmattan mais secos comprometeram o desenvolvimento das plantas e contribuíram para a redução da produção.
O resultado foi uma das maiores crises recentes de oferta de cacau e uma escalada histórica das cotações internacionais.
Brasil também precisa olhar para o risco hídrico
No Brasil, o comportamento do El Niño exige acompanhamento principalmente pela possibilidade de irregularidade das chuvas e ocorrência de períodos prolongados de altas temperaturas.
Para o cacaueiro, a disponibilidade de água é particularmente importante durante etapas como floração, pegamento e desenvolvimento dos frutos. Períodos prolongados de déficit hídrico podem reduzir a atividade fisiológica da planta, limitar seu desenvolvimento e afetar seu potencial produtivo.
Esse cenário aumenta a importância de estratégias preventivas nas propriedades, incluindo conservação da umidade do solo, cobertura vegetal, manejo adequado do sombreamento, matéria orgânica, sistemas de irrigação onde economicamente viáveis e adoção de novas ferramentas biológicas capazes de aumentar a resiliência das plantas.
Tecnologia microbiológica surge como ferramenta contra o estresse hídrico
Entre as tecnologias brasileiras desenvolvidas justamente para enfrentar esse desafio está o Bioma HYDRATUS, bioinsumo microbiológico resultado de pesquisa e desenvolvimento realizados pela Embrapa em parceria com a Bioma.
O produto utiliza a bactéria Bacillus subtilis, cepa BRM 1A11, selecionada a partir de microrganismos adaptados às condições de baixa disponibilidade hídrica da Caatinga brasileira.
A tecnologia faz parte de uma linha de pesquisas da Embrapa que busca na própria biodiversidade de ambientes secos microrganismos capazes de auxiliar plantas a enfrentar períodos de restrição de água.
O HYDRATUS representa uma evolução dessa estratégia de pesquisa, utilizando outra bactéria adaptada a ambientes de baixa disponibilidade hídrica, a Bacillus subtilis BRM 1A11.
Como o HYDRATUS atua
A proposta da tecnologia é auxiliar a planta a enfrentar situações de escassez de água por diferentes mecanismos biológicos.
A colonização do sistema radicular pelo microrganismo favorece processos relacionados ao desenvolvimento das raízes, utilização da água disponível e respostas fisiológicas da planta diante do estresse.
Entre os mecanismos estudados estão a formação de biofilme na região das raízes, estímulo ao desenvolvimento radicular, produção de compostos associados ao crescimento vegetal e respostas relacionadas ao controle da perda de água.
Na prática, a tecnologia busca aumentar a capacidade da planta de atravessar períodos de déficit hídrico com menor comprometimento fisiológico.
O produto possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e para o setor cacaueiro, tecnologias dessa natureza ganham importância diante de um cenário climático cada vez mais instável. A mitigação do estresse hídrico não substitui irrigação, manejo de solo, sombreamento ou conservação de água, mas pode integrar uma estratégia mais ampla para aumentar a resiliência das lavouras.
O retorno do El Niño ao radar internacional reforça uma mudança importante na agricultura: o produtor não pode mais esperar a seca chegar para começar a proteger a lavoura.
No cacau, cultura perene na qual os efeitos de um período climático adverso podem repercutir durante vários meses sobre flores, frutos e produtividade, estratégias preventivas tendem a ganhar cada vez mais espaço.
O Bioma HYDRATUS é encontrado e distribuído pela COLOFERT. Produtores interessados em informações comerciais, disponibilidade e orientação para aquisição podem entrar diretamente em contato pelo WhatsApp:
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Diante das perspectivas climáticas para os próximos meses, manejo hídrico, conservação do solo e novas tecnologias microbiológicas passam a fazer parte de uma mesma estratégia: preparar a lavoura antes que o estresse aconteça.
Fonte: mercadodocacau

