As exportações de cacau da Nigéria apresentaram forte retração no segundo trimestre de 2026, segundo dados divulgados pelo National Bureau of Statistics (NBS) em 14 de setembro. Considerando conjuntamente as exportações de amêndoas de qualidade standard, amêndoas de qualidade superior e manteiga de cacau, o valor exportado somou ₦240,73 bilhões, ante ₦590,56 bilhões no mesmo período de 2025.
A queda representa uma retração aproximada de 59% em valor, sinalizando uma mudança relevante no fluxo de cacau do quarto maior produtor da África Ocidental.
O movimento mais expressivo aparece na categoria de cacau classificada como qualidade superior.
As exportações desse grupo passaram de ₦596,90 bilhões no primeiro trimestre de 2026 para ₦58,82 bilhões no segundo trimestre, uma redução de aproximadamente 90%.
Ao mesmo tempo, houve uma forte migração para a categoria standard. As exportações desse segmento saltaram de ₦2,40 bilhões no primeiro trimestre para ₦154,31 bilhões no segundo.
A mudança na composição chama atenção porque ocorre em um momento de maior preocupação do mercado internacional com a disponibilidade e a qualidade do cacau produzido na África Ocidental.
Apesar da magnitude da retração, os números do NBS precisam ser interpretados com cautela. Os dados apresentados em valor financeiro não permitem concluir, isoladamente, que a Nigéria tenha exportado 59% menos cacau em volume físico.
Parte da redução pode estar relacionada à queda dos preços internacionais da commodity ao longo do período, enquanto a alteração entre as categorias também pode refletir mudanças na classificação dos produtos exportados.
Por isso, a evolução das exportações em toneladas será fundamental para determinar se a retração observada representa, de fato, uma menor disponibilidade de cacau nigeriano no mercado internacional.
A informação ganha relevância diante das perspectivas para a oferta de cacau da África Ocidental na temporada 2026/27.
Caso os próximos dados confirmem que a queda observada em valor também foi acompanhada por uma redução significativa no volume exportado, a Nigéria poderá acrescentar mais um elemento de aperto à oferta regional, especialmente em um cenário já marcado por preocupações com a produção de Gana e Costa do Marfim.
Por outro lado, se a retração estiver concentrada principalmente nos preços e na composição das categorias exportadas, o impacto sobre o balanço físico global poderá ser bem mais limitado.
O próximo ponto de atenção, portanto, será a confirmação dos volumes embarcados e a evolução da classificação por qualidade. A combinação desses dados permitirá avaliar se a queda registrada pela Nigéria representa apenas uma mudança no valor das exportações ou uma redução efetiva da oferta disponível para o mercado internacional.
Fonte: mercadodocacu



