COCOBOD afirma que mudança é estratégica e pretende dar maior estabilidade ao financiamento da temporada 2026/27
O Conselho do Cacau de Gana (COCOBOD) pretende captar cerca de US$ 1,4 bilhão, equivalentes a GH¢16,3 bilhões, junto a investidores domésticos. Os recursos devem apoiar as compras de cacau da temporada 2026/27 e o pagamento de obrigações pendentes. A instituição rejeita a interpretação de que a iniciativa decorre de uma exclusão dos mercados financeiros internacionais.
Em entrevista ao programa The Point of View, da Channel One TV, na segunda-feira, 28 de setembro, o vice-diretor executivo responsável por Finanças e Administração, Ato Boateng, afirmou que bancos estrangeiros demonstraram interesse em retomar o financiamento. Segundo ele, o conselho decidiu priorizar fontes locais após avaliar as dificuldades enfrentadas nos acordos anteriores.
Boateng também criticou a dependência do modelo financiado por compradores internacionais. Nesse sistema, os recursos passavam pelo COCOBOD até as empresas licenciadas de compra, conhecidas como LBCs, que adquiriam as amêndoas dos produtores. De acordo com o executivo, a retirada de financiadores durante a queda dos preços internacionais comprometeu a continuidade das compras.
A estratégia doméstica foi apresentada ao Ministério das Finanças e recebeu aprovação do gabinete do governo, conforme o relato de Boateng. A proposta surge após dificuldades nos mecanismos de pré-financiamento utilizados nas últimas temporadas.
Além de buscar maior previsibilidade, o COCOBOD considera que a estabilidade do cedi e a redução dos juros domésticos tornaram a captação local mais atraente. A receita operacional da instituição passou de GH¢15,8 bilhões em 2024 para GH¢48,6 bilhões em 2025, enquanto a margem líquida saiu de um resultado negativo de 35,1% para 10,4%, segundo os dados divulgados.
A captação está prevista em três etapas. Boateng informou que o custo do financiamento e a resposta dos investidores serão determinantes para a execução do programa. Assim, o valor anunciado representa uma meta de levantamento de recursos, cuja concretização dependerá da adesão do mercado.
Para o mercado de cacau, a principal questão será a capacidade de transformar a captação em recursos disponíveis para as compras. Se o programa assegurar pagamentos e abastecer as empresas compradoras, poderá favorecer a circulação das amêndoas e reduzir o risco de interrupções comerciais em Gana.
Essa possível repercussão depende da execução do plano. O financiamento, por si só, não aumenta a produção agrícola, mas pode melhorar o escoamento do cacau disponível. Por isso, o volume efetivamente captado, os custos e o ritmo de liberação dos recursos serão pontos importantes de acompanhamento ao longo da temporada.
Fonte: mercadodocacau com informações myjoyonline


