Gana busca US$ 1,4 bilhão para financiar compra de cacau e enfrenta incerteza sobre início da safra

Plano prevê emissão de dívida no mercado doméstico, enquanto compradores cobram pagamentos pendentes da temporada anterior

O Conselho do Cacau de Gana (COCOBOD) pretende captar 16,3 bilhões de cedis, cerca de US$ 1,4 bilhão, junto a investidores locais para financiar a compra de cacau na próxima temporada. A proposta consta de uma apresentação do governo a investidores, segundo informações divulgadas pela Reuters nesta quarta-feira (23).

A captação marca uma nova tentativa de assegurar recursos para a operação de compra de amêndoas. O modelo de empréstimos sindicados com bancos internacionais entrou em crise na safra 2023/24, e um acordo posterior de pré-financiamento por empresas comerciais também fracassou na última temporada. As dificuldades contribuíram para atrasos nos pagamentos aos agricultores.

Para levantar os recursos, um novo veículo financeiro chamado Cocoa Capital PLC deve lançar uma primeira emissão de 6,3 bilhões de cedis: 2,3 bilhões em títulos e 4 bilhões em papéis comerciais. Os papéis de prazo mais curto, com vencimento de até 270 dias, seriam usados nas compras sazonais de cacau. Os títulos, com prazo de até cinco anos, serviriam para refinanciar dívidas de curto prazo da COCOBOD.

O plano chega em um momento delicado para a cadeia ganesa. Compradores licenciados afirmam ter aproximadamente 4 bilhões de cedis a receber da temporada passada e pedem a quitação antes do novo ano agrícola. Eles também alertam que os recursos para financiar novas compras podem não estar disponíveis a tempo.

Gana ainda não anunciou a data de abertura da nova temporada, embora Costa do Marfim, seu vizinho e maior produtor mundial, tenha iniciado a sua em 1º de setembro. Os dois países haviam concordado em junho em coordenar as datas de início e os preços pagos aos produtores.

Segundo a apresentação, os pagamentos da nova dívida seriam garantidos por receitas de exportação vinculadas a contratos selecionados de venda futura de cacau. A proposta está aberta a bancos, fundos de pensão, seguradoras e outros investidores, além de compradores internacionais.

Para o mercado, a questão imediata é se a captação ocorrerá a tempo de colocar dinheiro nas mãos dos compradores e regularizar os pagamentos pendentes. A busca por financiamento, por si só, não indica falta de cacau nas lavouras, mas atrasos na liberação de recursos podem dificultar a compra das amêndoas e o início efetivo da comercialização em Gana.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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