O Ghana Cocoa Board (COCOBOD) anunciou na segunda-feira (14) uma nova medida para intensificar o combate ao contrabando de cacau no país. A partir de agora, pessoas que denunciarem operações de comércio ilegal poderão receber um terço do valor do cacau apreendido, caso a informação resulte na interceptação da carga.
A iniciativa surge diante de preocupações com o aumento do fluxo ilegal de amêndoas, especialmente nas regiões de Volta e Oti, onde o COCOBOD identificou movimentações de cacau em direção ao vizinho Togo.
Segundo o regulador, o comércio clandestino prejudica a disponibilidade de amêndoas para o processamento dentro de Gana, reduz receitas em moeda estrangeira e pode afetar a leitura dos dados oficiais sobre a produção e comercialização do país.
A medida também ganha relevância em meio às discussões sobre a remuneração dos produtores ganeses.
Gana avalia elevar sua referência para 2.737 cedis por saca de 64 kg, enquanto a Costa do Marfim mantém o preço de referência em 1.200 CFA por quilo.
As diferenças de remuneração, quando combinadas com câmbio e custos de transporte, podem influenciar a direção dos fluxos de cacau dentro da África Ocidental, criando incentivos para movimentações informais entre países produtores.
Nesse contexto, o combate ao contrabando pode ganhar importância adicional caso as diferenças de preços entre os mercados vizinhos aumentem.
Para o mercado internacional, o anúncio acrescenta uma variável importante à interpretação dos dados de produção e comercialização de Gana e Costa do Marfim.
Variações nas compras oficiais ou nos volumes registrados por cada país não necessariamente representam, de forma direta, mudanças equivalentes na produção física. Parte dessas oscilações pode estar relacionada à movimentação de amêndoas através das fronteiras.
A criação de uma recompensa equivalente a 33% do valor das cargas interceptadas sinaliza que o COCOBOD considera o problema relevante o suficiente para ampliar os mecanismos de fiscalização e estimular a participação da população na identificação das operações ilegais.
A notícia surge em um momento em que as perspectivas para a oferta ganesa seguem no centro das atenções do mercado de cacau.
As preocupações com uma possível redução da produção na próxima temporada vêm contribuindo para sustentar os preços dos contratos futuros. Nesta segunda-feira, os contratos de cacau avançaram nas bolsas de Nova York e Londres, em um movimento também influenciado por fatores relacionados à oferta e ao mercado de moedas.
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Fonte: mercadodocacau



