Sindicatos reivindicam melhores condições para os agricultores e ameaçam impedir o transporte de amêndoas aos portos, enquanto o sistema de rastreabilidade avança no país
Produtores de cacau da Costa do Marfim iniciaram uma greve por tempo indeterminado, aumentando a preocupação com o escoamento da safra 2026/27. O movimento ocorre justamente no início das primeiras entradas da nova colheita e poderá adicionar volatilidade às bolsas internacionais.
A paralisação começou em 16 de setembro e é liderada pelo Sindicato Nacional Agrícola para o Progresso na Costa do Marfim (SYNAP-CI). Sete organizações de produtores declararam apoio ao movimento contra o preço oficial de 1.200 francos CFA por quilo, considerado insuficiente diante dos custos de produção e das dificuldades enfrentadas no mercado físico.
Entre as reivindicações estão a concessão de um subsídio emergencial aos agricultores, uma auditoria na gestão do setor, mudanças na administração do Conseil du Café-Cacao e uma solução para os estoques ainda retidos da safra 2025/26.
O ponto de maior atenção para o mercado é a orientação do sindicato para impedir que o cacau chegue aos portos de Abidjan e San Pedro, principais corredores de exportação do país. Caso a mobilização ganhe adesão, as compras, entregas e embarques poderão sofrer atrasos no começo da temporada.
Até o momento, porém, ainda não existem evidências independentes de uma redução efetiva nas chegadas aos portos. Além disso, outra organização interprofissional recomendou anteriormente que os agricultores não participassem da greve, demonstrando que o alcance da paralisação permanece incerto.
Em paralelo à mobilização, a Costa do Marfim registrou progresso na implantação do seu sistema de rastreabilidade. Cerca de 600 cooperativas já utilizaram integralmente o cartão do produtor, movimentando aproximadamente 26 mil toneladas de cacau.
O avanço reduz parcialmente os riscos operacionais relacionados à adaptação ao novo sistema. Ainda assim, não elimina a possibilidade de interrupções provocadas pela retenção das amêndoas ou por bloqueios no transporte até os portos.
Fonte: mercadodocacau



