Orientação para reter a nova colheita amplia o risco de atrasos na comercialização; impacto nos portos ainda depende de confirmação independente.
A mobilização dos produtores de cacau na Costa do Marfim ganhou um novo elemento de pressão: o pedido para suspender a comercialização da nova colheita. Segundo informações divulgadas pelo Agro Pastoral News, o SYNAP-CI reafirmou a orientação para que seus integrantes não vendam cacau até nova ordem e anunciou uma marcha em Abidjan contra a política de preços do setor.
A greve começou em 16 de setembro. Entre os dias 21 e 26, representantes do sindicato percorreram regiões produtoras, incluindo Bouaflé, Daloa e Duékoué, para reforçar a mobilização e recolher demandas dos agricultores. A continuidade do movimento foi reafirmada em comunicado datado de 30 de setembro.
No centro da disputa está o preço de 1.200 francos CFA por quilo, apontado nas informações divulgadas como a referência para a temporada 2026/27 e considerado insuficiente pelo sindicato. A entidade também cobra soluções para dificuldades de comercialização e mudanças na direção do Conselho do Café-Cacau.
As reivindicações incluem melhores condições de vida das famílias rurais, acesso à saúde, educação e recursos para manutenção das propriedades. O sindicato também pediu esclarecimentos sobre a retirada de estoques residuais e as exigências de rastreabilidade.
O SYNAP-CI afirma representar aproximadamente 868 mil produtores, mas esse número não permite dimensionar a adesão efetiva à suspensão das vendas. Ainda não há confirmação independente de quantos agricultores estejam retendo amêndoas ou do volume envolvido.
A entidade sustenta que a greve já estaria afetando as chegadas aos portos de Abidjan e San Pedro. Essa informação, porém, é uma declaração sindical e precisa ser confrontada com registros de compradores, exportadores e movimentação portuária.
Para o mercado internacional, o principal risco é um atraso na disponibilidade física do cacau. Caso a retenção tenha adesão expressiva, poderá reduzir temporariamente o abastecimento de cooperativas, compradores e exportadores, mesmo com amêndoas disponíveis nas propriedades.
Na avaliação de mercado, esse cenário pode oferecer sustentação às cotações em Nova York e Londres ao aumentar a incerteza sobre o ritmo de escoamento da nova safra. A intensidade e a duração desse efeito dependerão da participação dos produtores, do andamento das negociações e da disponibilidade de estoques ao longo da cadeia.
O indicador decisivo será o comportamento das chegadas aos portos nas próximas semanas. Uma desaceleração comprovada do fluxo físico dará maior peso à mobilização na formação dos preços internacionais. Até lá, o pedido de suspensão das vendas representa um risco adicional de abastecimento, sem comprovar, por si só, uma redução da oferta exportável.
Fonte: mercadodocacau



