A empresa mineira Fralía Cacau Brasil apresentou um novo modelo de processamento industrial durante a 2ª ExpoCacau, realizada em Ilhéus. A proposta visa promover o aproveitamento de todo o potencial do fruto, aplicando tecnologia avançada para diminuir o descarte de materiais e otimizar a cadeia produtiva do setor.
Atualmente, a amêndoa do cacau corresponde a uma parcela que varia entre 6% e 10% do volume total do fruto. Matheus Pedrosa dos Reis, diretor-executivo da Fralía e presidente do Conselho de Inovação e Tecnologia da FIEMG, destaca que elementos como o mel, as fibras e a placenta do cacau (conhecida como sibira) ainda são tratados como resíduos na maioria das operações. O executivo explica que os maiores obstáculos para a utilização comercial desses componentes são o processamento adequado e a conservação, já que o material se deteriora em poucas horas após a colheita.
Para superar essas limitações estruturais, a indústria, que atua no mercado há 21 anos, adotou a diretriz batizada de “Cacau Tech”. O modelo integra soluções tecnológicas em todas as etapas, desde o ambiente de fábrica e o uso de biotecnologia até o relacionamento final com produtores e consumidores. A premissa da organização é utilizar a inovação como ferramenta para potencializar as capacidades humanas, e não para substituir a mão de obra. Essa visão estratégica foi detalhada ao público por meio de um manifesto audiovisual exibido na abertura do evento baiano.
A mudança de paradigma ganha relevância diante do atual cenário econômico do agronegócio nacional. Apesar de ser o sexto ou sétimo maior produtor global, o Brasil ainda é um importador líquido de cacau. O mercado interno consome até 280 mil toneladas anualmente, enquanto a produção nacional atinge cerca de 220 mil toneladas.
Sediada em São Gonçalo do Rio Abaixo, na região do Vale do Aço, a Fralía consolida suas operações fora dos tradicionais polos de cultivo localizados na Bahia e no Pará. Minas Gerais registra atualmente cerca de 700 hectares de cacau plantados, com a maior parte já em plena produção na região norte do estado. Com a iniciativa, a empresa busca expandir a influência mineira no setor e estabelecer novos padrões de sustentabilidade e eficiência industrial.
Fonte: cartadenoticias.com.br

