Lindt reduz previsão de vendas e acende alerta sobre demanda por chocolate

Alta dos preços, consumidores mais cautelosos e calor na Europa levaram a fabricante suíça a revisar suas expectativas para 2026 pela segunda vez no ano

A Lindt & Sprüngli reduziu nesta terça-feira (29) sua previsão de crescimento orgânico das vendas em 2026, de 4% a 6% para 0% a 2%. A revisão, a segunda neste ano, mostra a dificuldade da fabricante suíça em manter o ritmo de vendas após os aumentos de preços dos chocolates.

Segundo o CEO Adalbert Lechner, o custo elevado do cacau obrigou a empresa a reajustar seus produtos de forma expressiva. A resposta dos consumidores foi mais forte do que a esperada em alguns mercados europeus: os pedidos perderam volume, sobretudo na linha de chocolates sazonais. O verão quente na Europa agravou o quadro e, de acordo com o executivo, retirou cerca de 1,5 ponto percentual do crescimento das vendas.

A nova previsão ficou abaixo dos 3,9% projetados pelo consenso de mercado citado pelo banco Vontobel. Para os analistas da instituição, a sequência de revisões também coloca em questão a capacidade da Lindt de antecipar o desempenho de suas vendas.

O recado para a cadeia do cacau está no volume. Os reajustes ajudam a fabricante a lidar com seus custos, mas encontram um limite quando o consumidor passa a comprar menos chocolate ou procura embalagens mais acessíveis. Na Lindt, os produtos maiores para presente e os sortimentos de bombons registraram as quedas de volume mais acentuadas. A empresa pretende, por isso, ampliar a oferta de itens menores.

Mesmo com a redução da previsão de vendas, a Lindt manteve sua expectativa de melhora de 20 a 40 pontos-base na margem de lucro operacional em 2026. A companhia espera voltar a registrar crescimento positivo em volume em 2027, apoiada por ajustes de preços, investimentos na marca, inovações e medidas de redução de custos.

Para o mercado de cacau, o resultado merece acompanhamento nas próximas divulgações das fabricantes e processadoras. A revisão de uma empresa, por si só, não define a demanda global por amêndoas, mas acrescenta um sinal de que a resistência dos consumidores aos preços do chocolate pode continuar limitando a recuperação dos volumes.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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