A situação atinge principalmente propriedades remotas, com menos de quatro hectares e sem infraestrutura adequada para o rastreamento digital da produção. Embora isso não represente necessariamente uma redução da oferta física, poderá limitar a quantidade de cacau elegível para exportação à União Europeia.
O governo nigeriano iniciou um programa-piloto do National Traceability System em cinco importantes estados produtores: Cross River, Ondo, Ogun, Oyo e Osun. A iniciativa busca organizar as informações dos produtores e acompanhar o percurso das amêndoas desde as propriedades rurais até a exportação.
Paralelamente, uma parceria entre o Ministério Federal da Agricultura e a agência espacial NASRDA está utilizando imagens de satélite de alta resolução para verificar se as áreas produtoras registraram desmatamento depois de dezembro de 2020, data de corte estabelecida pelo regulamento europeu.

Os exportadores também estão sendo direcionados ao sistema federal National Single Window, que deverá contribuir para a digitalização da cadeia de custódia e para a integração dos documentos necessários às operações de comércio exterior.
Entre as iniciativas privadas, destaca-se o trabalho da Sunbeth Global Concepts. A empresa já teria mapeado mais de 140 mil hectares pertencentes a mais de 30 mil pequenos produtores.
Esse volume representa aproximadamente 20% da oferta projetada de cacau da Nigéria. O custo estimado do processo de mapeamento varia entre US$ 30 e US$ 80 por tonelada, aumentando as despesas de adequação para produtores, cooperativas e exportadores.
Apesar do avanço, os números mostram que uma parcela expressiva da produção nigeriana ainda precisa ser incorporada aos sistemas de geolocalização e rastreabilidade.
A União Europeia absorve aproximadamente 60% a 70% das exportações nigerianas de cacau. Por isso, eventuais dificuldades de conformidade podem ter impacto relevante sobre a comercialização e a formação dos diferenciais pagos pela origem.
Caso um número elevado de propriedades permaneça sem geolocalização, a Nigéria poderá enfrentar, em 2027, uma divisão mais clara de mercado. De um lado, estaria o cacau rastreável e elegível para a Europa, possivelmente negociado com maior valorização. Do outro, o produto convencional, destinado a mercados com exigências diferentes e sujeito a descontos.
Fonte: mercadodocacau


