A indústria de cacau da Malásia apresenta sinais de recuperação após dois anos marcados pela volatilidade da oferta e dos preços. No segundo trimestre de 2026, a moagem de cacau no país alcançou 90.849 toneladas, um aumento de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo dados da Associação de Cacau da Ásia e do Conselho de Cacau da Malásia, o volume processado no país representou aproximadamente 40% de toda a moagem de cacau da Ásia no período, reforçando a importância da Malásia como um dos principais polos de processamento da matéria-prima na região.
O avanço ocorre em um cenário que ainda é influenciado por tensões geopolíticas e instabilidades no mercado internacional de cacau. De acordo com Ciptadi Sukono, diretor-geral da Barry Callebaut no Sudeste Asiático, a empresa enfrentou nos últimos anos oscilações tanto no fornecimento quanto nos preços da commodity.
Apesar dos desafios, o executivo afirma que o consumo começa a reagir à medida que os preços apresentam algum recuo.
“O consumo de cacau começa a aumentar novamente quando o preço começa a cair um pouco. Esperamos que, como setor, estejamos muito mais preparados no futuro caso situações como essa voltem a ocorrer.”
Durante uma coletiva de imprensa, Sukono reforçou que a recuperação do consumo já é perceptível no mercado.
Além do crescimento da moagem, a expansão da indústria de cacau na Malásia também tem sido acompanhada por mudanças na estratégia comercial da Barry Callebaut no país.
Segundo Sukono, a empresa ampliou significativamente sua presença por meio de seu modelo de distribuição. A operação, que anteriormente contava com apenas um distribuidor, passou a trabalhar com uma rede de sete parceiros de distribuição em diferentes regiões da Malásia.
A mudança permitiu ampliar o alcance da companhia e atender uma base maior de clientes, acompanhando o crescimento do mercado local.
Para o executivo, a evolução econômica da Malásia também contribui para esse cenário. O país está entre os mercados que mais cresceram na região da ASEAN nos últimos anos, ao lado do Vietnã. A valorização da moeda malaia, segundo ele, também aumentou o poder de compra e favoreceu o consumo.
As perspectivas para o mercado de chocolate e cacau na Malásia são positivas. A expectativa apresentada pela Barry Callebaut é de que o setor alcance uma taxa de crescimento anual composta superior a 7% até 2031.
Um dos fatores apontados para esse avanço é a forte cultura gastronômica do país, que contribui para o desenvolvimento da indústria de alimentos e bebidas e abre espaço para novas aplicações do cacau.
A crescente presença de produtos de chocolate no mercado também deve contribuir para a expansão do setor, enquanto a capacidade dos fabricantes locais de transformar a matéria-prima em produtos inovadores acompanha tendências observadas globalmente.
Para a Barry Callebaut, essa combinação entre crescimento do consumo, criatividade da indústria e adaptação das tendências internacionais ao mercado local pode fortalecer ainda mais a posição da Malásia na cadeia global do cacau.
Fonte: mercadodocacau com informações borneobulletin


