Primeiras chegadas da safra 2026/27 reforçam oferta de cacau no curto prazo

As primeiras movimentações da safra 2026/27 da Costa do Marfim começaram a aparecer nos portos do país. Dados de exportadores mostram que aproximadamente 16 mil toneladas de cacau chegaram a Abidjan e San Pedro na semana encerrada em 20 de setembro, elevando o acumulado inicial da temporada para 20,5 mil toneladas.

Embora o volume ainda seja insuficiente para indicar o tamanho da nova safra, o dado representa a primeira referência concreta sobre o fluxo físico de cacau marfinense. A entrada das amêndoas nos portos ganha relevância diante das preocupações recentes com chuvas abaixo da média, queda de pequenos frutos  e possibilidade de atraso no início da colheita principal.

No curtíssimo prazo, a confirmação das chegadas reforça a percepção de disponibilidade física e pode limitar movimentos de recuperação dos preços. O mercado já vinha pressionado pelos estoques relativamente confortáveis e pela retomada ainda lenta da demanda mundial.

O Conselho do Café-Cacau havia demonstrado preocupação com um possível início tardio da safra. Esse cenário poderia concentrar os embarques nos meses seguintes e provocar congestionamentos logísticos, especialmente antes da entrada em vigor das novas exigências europeias de rastreabilidade e combate ao desmatamento.

Nas bolsas, a disputa entre oferta imediata e incertezas futuras permanece evidente. Londres chegou a registrar a menor cotação em quase seis semanas antes de reagir, enquanto o contrato negociado em Nova York recuperou-se para aproximadamente US$ 5.536 por tonelada.

Apesar da oferta confortável no curto prazo, continuam as dúvidas sobre o desempenho completo da safra marfinense e a possibilidade de déficit global em 2026/27. Por isso, os próximos dados semanais serão determinantes: uma aceleração das chegadas reforçará a pressão baixista, enquanto volumes persistentemente baixos poderão confirmar a hipótese de atraso da safra da Costa do Marfim.

Fonte: mercadodocacau

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