A produção de cacau de Gana poderá cair até 38% na temporada 2026/27, quase o dobro da redução estimada anteriormente. Doenças, envelhecimento das lavouras e falhas incomuns na polinização estão entre os principais fatores que ameaçam a nova colheita.
A Cocoa Marketing Company Ghana Ltd, responsável pelo monopólio estatal das exportações de amêndoas do país, projeta uma produção entre 470 mil e 620 mil toneladas. Na temporada anterior, Gana teria produzido aproximadamente 760 mil toneladas.
A nova faixa representa uma deterioração significativa em relação à previsão divulgada em julho pelo Conselho do Cacau de Gana (COCOBOD), que apontava uma queda de pelo menos 16%.
O diretor executivo da Cocoa Marketing Company, Wisdom Kofi Dogbey, afirmou à Reuters que as lavouras enfrentam um problema de polinização que não era observado com essa intensidade havia cerca de 20 anos.
A baixa formação de frutos soma-se a dificuldades estruturais já conhecidas, como o envelhecimento das árvores e a pressão persistente de doenças. O cenário também foi agravado pelas chuvas intensas registradas em maio e junho e pelo risco de alterações climáticas relacionadas ao El Niño.
Segundo o COCOBOD, um número excepcionalmente elevado de cherelles (frutos jovens do cacaueiro) está morrendo antes de alcançar a maturidade nas regiões Oeste e Oeste Norte. Essas duas áreas respondem por mais da metade da produção ganesa.
A doença do broto inchado, a perda de áreas agrícolas para a mineração ilegal e a alternância natural entre ciclos de maior e menor produtividade também limitam o potencial da safra.
A revisão ocorre em um momento de forte recuperação dos preços internacionais. Desde junho, os futuros de cacau negociados em Londres e Nova York acumulam valorização entre 75% e 80%, impulsionados pela redução do superávit global e pelos temores relacionados ao El Niño.
Gana é o segundo maior produtor mundial de cacau. A vizinha Costa do Marfim, líder global, também poderá registrar uma queda superior a 10% na produção de 2026/27. Juntos, os dois países fornecem mais da metade do cacau consumido no mundo.
Caso as projeções mais pessimistas sejam confirmadas, o mercado poderá enfrentar uma disponibilidade de amêndoas consideravelmente menor, reduzindo a margem de segurança prevista para o balanço global.
Para enfrentar os problemas, o COCOBOD anunciou a ampliação dos programas de reabilitação das lavouras e das ações de controle de pragas e doenças. O órgão também retomou a distribuição gratuita de fertilizantes para a temporada 2026/27.
A situação preocupa não apenas o mercado internacional, mas também a economia ganesa. O cacau permanece entre as principais fontes de receita de exportação do país e sustenta milhares de famílias nas regiões produtoras.
Com a abertura da nova temporada, traders e fabricantes de chocolate acompanharão atentamente o clima, a sobrevivência dos frutos e a efetividade das medidas sanitárias. Esses fatores determinarão se a produção ficará próxima do limite superior de 620 mil toneladas ou se poderá recuar para apenas 470 mil toneladas.
Fonte: mercadodocacau com informações newsghana

