Rastreabilidade avança na Costa do Marfim e já cobre 50 mil toneladas de cacau

Novo sistema amplia rapidamente sua presença na comercialização, reduz temores de interrupções e melhora a preparação do país para atender às exigências do EUDR.

A implantação do Sistema Nacional de Rastreabilidade da Costa do Marfim avançou de forma significativa nas primeiras semanas da safra 2026/27. Entre 7 e 20 de setembro, foram registradas compras de 50.085 toneladas de cacau por meio da nova plataforma.

As operações envolveram 770 cooperativas e compradores credenciados, além de 70.525 produtores. No mesmo período, 40 exportadores validaram 1.032 documentos de transporte, correspondentes a um volume previsto de 40.947 toneladas de amêndoas.

Os números representam uma evolução importante em relação às dificuldades observadas no começo da implantação. Cooperativas e compradores haviam relatado falta de equipamentos, materiais de identificação e treinamento para operar as ferramentas digitais, levantando dúvidas sobre a capacidade do sistema de acompanhar o início da nova temporada.

A Costa do Marfim tornou obrigatório o uso da carteira eletrônica do produtor para registrar a origem e a movimentação do cacau. A medida busca garantir que as amêndoas destinadas ao mercado europeu cumpram as exigências de rastreabilidade e combate ao desmatamento estabelecidas pelo Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento, o EUDR.

O país é o maior produtor mundial de cacau e destina aproximadamente 70% de suas exportações ao mercado europeu. Por isso, eventuais falhas no sistema poderiam atrasar compras nas regiões produtoras, o transporte das amêndoas e os embarques pelos portos de Abidjan e San Pedro.

O registro de mais de 50 mil toneladas indica que a cadeia começa a se adaptar à nova estrutura. O avanço reduz, ao menos no curto prazo, o risco de paralisações provocadas exclusivamente por problemas operacionais de rastreabilidade.

Para o mercado internacional, a evolução pode exercer influência levemente baixista sobre os contratos futuros negociados em Nova York e Londres. O funcionamento do sistema diminui o prêmio de risco relacionado a possíveis atrasos nas exportações, justamente no início da principal safra do maior fornecedor mundial.

Ainda assim, os volumes registrados como compras rastreadas não devem ser confundidos com chegadas efetivas aos portos ou embarques realizados. O ritmo das entregas físicas continuará dependendo da disponibilidade da safra, das condições climáticas, da logística interna e da adesão integral dos participantes ao novo modelo.

A evolução do sistema deverá ser acompanhada nas próximas semanas, quando o fluxo de cacau tende a aumentar. Esse período será decisivo para comprovar se a estrutura conseguirá operar em maior escala sem criar gargalos entre as fazendas, as cooperativas, os exportadores e os portos.

Fonte: mercadodocacau com informações com informações do CCC

 

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