Camarões afirma estar pronto para a EUDR e diz rastrear 99% de sua produção de cacau

País avança no cumprimento das exigências da nova legislação europeia contra o desmatamento e defende reconhecimento da agrossilvicultura

Camarões, um dos principais fornecedores de cacau da União Europeia, declarou estar pronto para atender às exigências do Regulamento de Desmatamento da UE (EUDR), que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2026. De acordo com autoridades locais, 99% da produção nacional de cacau já pode ser rastreada até sua parcela de origem — um marco relevante para o país, que responde por cerca de 78% das importações de cacau e 87% do café da UE.

O anúncio foi feito durante um fórum realizado na capital Yaoundé, organizado pelo ministro do Comércio, Luc Magloire Mbarga Atangana. Segundo dados divulgados, 24.800 produtores de cacau já estão registrados no novo sistema nacional de geolocalização e mapeamento. Ao todo, mais de 28 mil parcelas de cultivo foram mapeadas, cobrindo praticamente toda a produção de cacau no país.

A rastreabilidade está sendo operacionalizada por meio de um programa do Conselho Interprofissional de Café e Cacau dos Camarões (CICC), em parceria com o Programa Cacau Sustentável. Um novo software permitirá que exportadores rastreiem com precisão a origem dos grãos adquiridos, e uma ferramenta adicional, chamada GEOSHARE, auxiliará no controle das encomendas no nível comercial.

O Regulamento de Desmatamento da UE proíbe a importação de produtos agrícolas ligados a desmatamento após 2020, abrangendo cacau, café, soja, óleo de palma, madeira, borracha e produtos pecuários. Após pedidos de países produtores, incluindo Camarões, a aplicação do regulamento foi adiada em um ano, para permitir adequações técnicas e operacionais.

Apesar do progresso, autoridades camaronesas reconhecem desafios estruturais. A fragmentação institucional do país dificulta a coordenação entre ministérios, criando riscos de sobreposição e lacunas. Para superar essas barreiras, o CICC tem atuado com pequenos produtores e ONGs, promovendo capacitações em boas práticas agrícolas alinhadas às exigências europeias.

Um ponto sensível ainda em debate é o modelo de agrossilvicultura. Considerado pelos Camarões uma alternativa sustentável que combina cultivo com preservação florestal, o modelo ainda não é plenamente reconhecido pela UE como livre de desmatamento. O secretário executivo do CICC, Omer Gatien Maledy, afirmou que o país pretende participar ativamente dos próximos processos de revisão do regulamento para garantir o reconhecimento formal desse modelo.

Camarões vê na conformidade com a EUDR não apenas um desafio técnico, mas uma oportunidade estratégica para consolidar sua posição no mercado europeu, garantindo acesso continuado ao bloco e valorizando sua produção de cacau no cenário internacional.

Fonte: mercadodocacau com informações europeaninterest

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