Camarões intensificou o ritmo de valorização do cacau na África Ocidental e começa a emergir como um dos países com salários agrícolas mais atrativos da região. Segundo relatório do Cocoaradar, a safra principal está sendo comercializada a uma média de 5.000 francos CFA, o que equivale a valores entre US$ 5.680 e US$ 9.580 por tonelada.
Esse avanço ocorre em meio a uma onda de reajustes salariais entre países vizinhos. Em Gana, por exemplo, o governo promoveu um aumento de 62% no preço pago aos agricultores, chegando a 51.600 cedis ganenses (cerca de US$ 5.000/tonelada). No entanto, a desvalorização cambial do Cedi frente ao dólar reduziu o impacto positivo para os produtores.
Na Costa do Marfim, maior exportador mundial, os anúncios de preços para a próxima temporada continuam marcados pela volatilidade, reflexo direto da instabilidade climática e da demanda enfraquecida.
Apesar das altas regionais, os preços globais do cacau têm perdido força. Depois de atingir um pico de US$ 12.000/tonelada nos contratos futuros de Nova York e Londres em janeiro de 2025, as cotações recuaram para a casa dos US$ 7.500 no último mês — ainda mais que o dobro do nível registrado há apenas dois anos.
Relatório da Organização Internacional do Cacau (ICCO) mostrou que a primeira quinzena de julho foi marcada por tendência clara de queda nos preços futuros, pressionada pela perspectiva de maior produção e menor demanda.
De acordo com a ICCO, a produção de cacau vem aumentando, especialmente na América Latina, estimulada pelo ciclo de preços elevados que atraiu novos investimentos no cultivo. Esse movimento, segundo analistas, deve aliviar o aperto de oferta observado nos últimos anos.
Por outro lado, os preços persistentemente altos podem estar reduzindo o consumo global, evidenciado por quedas nas taxas de moagem no segundo trimestre de 2025.
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Associação Europeia do Cacau (ECA): queda de 7,20%, de 357.502 t para 331.762 t
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Associação Nacional de Confeiteiros (NCA): retração de 2,78%, de 104.781 t para 101.865 t
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Associação de Cacau da Ásia (CAA): queda expressiva de 16,28%, de 211.000 t para 176.644 t
Esses números reforçam o cenário de demanda fragilizada, mesmo em meio ao aumento da produção.
O futuro do mercado depende diretamente do clima na África Ocidental, especialmente na Costa do Marfim, citada como variável-chave para a próxima safra principal. Relatos de instabilidade climática reacenderam preocupações, e os preços voltaram a apresentar alta em meados de julho.
Ainda assim, o mercado segue dividido entre duas forças: Oferta em expansão na América Latina, que tende a reduzir a pressão sobre os preços e demanda mais fraca nas indústrias de moagem, que pode limitar o ritmo de recuperação das cotações.
Fonte: mercadodocacau com informações confectioneryproduction


