O Conselho do Cacau de Gana (COCOBOD) anunciou um novo esquema de incentivos financeiros voltado ao combate do contrabando de grãos de cacau — um problema crônico que há anos ameaça a sustentabilidade do setor no país. A iniciativa prevê o pagamento de um terço do valor do cacau confiscado a informantes e agentes envolvidos em operações anticontrabando, numa tentativa de ampliar a vigilância e reforçar a participação popular na defesa da principal commodity nacional.
De acordo com o COCOBOD, o programa estabelece que tanto informantes civis quanto agentes de fiscalização receberão uma recompensa equivalente a 33% do valor do cacau apreendido, imediatamente após a conclusão das operações.
“Sob este acordo, informantes e agentes anticontrabando receberão um terço do valor avaliado do cacau confiscado como recompensa”, detalhou o conselho em comunicado oficial, acrescentando que o objetivo é “fortalecer a participação pública na luta contra o contrabando e garantir a sustentabilidade da campanha”.
O órgão também informou a criação de uma linha direta de denúncias, por meio da qual cidadãos poderão reportar atividades suspeitas com garantia de confidencialidade e pagamento rápido em caso de apreensões confirmadas.
O contrabando de cacau é uma das principais preocupações do governo ganense, especialmente em períodos de disparidade de preços com os países vizinhos. Gana, o segundo maior produtor mundial de cacau, atrás apenas da Costa do Marfim, perde anualmente milhares de toneladas de grãos transportados ilegalmente através de suas fronteiras porosas, onde intermediários buscam margens mais lucrativas.
Segundo autoridades locais, essa prática reduz a arrecadação de divisas, enfraquece a capacidade do Estado de apoiar os agricultores e ameaça a estabilidade de todo o sistema de preços mínimos pagos aos produtores — um dos pilares da política agrícola ganense.
O COCOBOD enfatizou que as comunidades rurais e fronteiriças terão papel central no sucesso do programa, já que são as mais afetadas pelas redes de contrabando e as primeiras a identificar movimentações suspeitas.
A agência reiterou seu compromisso de proteger o setor do cacau “para o benefício dos agricultores, da economia e do futuro da indústria do cacau de Gana”, destacando que a colaboração entre governo e população será essencial para reduzir o fluxo ilícito e preservar a reputação internacional do cacau ganense, reconhecido pela alta qualidade.
Fonte: mercadodocacau com informações thebftonline


