Cacau segue em consolidação à espera das moagens, enquanto ouro, ações e dólar avançam no cenário global

Por: Claudemir Zafalon

O mercado internacional de cacau segue em compasso de espera, consolidando-se próximo das mínimas recentes enquanto investidores ajustam posições antes da divulgação dos dados de moagem do terceiro trimestre, marcada para 16 de outubro. O movimento ocorre em meio à volatilidade dos mercados globais, onde ações, ouro e dólar sobem simultaneamente — um reflexo do cenário de expansão inflacionária e de políticas monetárias mais brandas nas principais economias.

Os contratos futuros de dezembro (CCZ25) oscilaram entre US$ 6.066 e US$ 6.310 por tonelada, encerrando o pregão a US$ 6.179, com baixa de US$ 104. Embora os preços ainda operem próximos do piso das últimas semanas, a formação de um suporte técnico tem limitado quedas mais acentuadas.

O volume total negociado alcançou 23.896 contratos, com 10.640 negócios realizados, enquanto o interesse em aberto registrou leve alta para 120.744 contratos — sinalizando que o mercado segue ativo e atento à leitura dos próximos fundamentos.

Os estoques certificados nos portos norte-americanos, monitorados pela ICE, registraram nova queda de 14.888 sacas, totalizando 1.923.167 sacas. A diminuição constante do volume estocado reforça a percepção de oferta global ainda restrita, especialmente após as perdas severas de produção na África Ocidental nas duas últimas temporadas.

Apesar disso, a queda recente dos preços e o aumento de custos ao produtor em Costa do Marfim e Gana têm trazido incertezas sobre o ritmo de reposição dos estoques e o potencial de exportação nos próximos meses.

A divulgação das moagens de cacau — indicador crucial para medir o consumo industrial — será o principal evento do mês para o setor. O resultado revelará o impacto real da retração da demanda global por chocolate após meses de preços recordes.

Nos trimestres anteriores, as moagens já haviam mostrado sinais de enfraquecimento, refletindo ajustes das indústrias e reformulações de produtos com menor teor de cacau para compensar o aumento dos custos de matéria-prima.

Enquanto isso, o ambiente macroeconômico global mostra um comportamento incomum: ouro, ações e dólar sobem juntos. O metal precioso é adicionado às carteiras como proteção contra o afrouxamento das políticas monetárias e fiscais, enquanto investidores mantêm exposição a ativos de risco impulsionados pela inteligência artificial e pela expectativa de crescimento corporativo.

O índice DXY do dólar atingiu o maior nível em quase dois meses, e o iene japonês voltou a se desvalorizar para ¥153 por dólar, ampliando as tensões cambiais na Ásia. No Brasil, o contrato futuro de real x dólar (novembro) segue estável a R$ 5,38, com operadores aguardando novas sinalizações do Banco Central.

Fonte: mercadodocacau

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