Rastreabilidade atinge 40% na Costa do Marfim em meio a incertezas sobre lei ambiental europeia

A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, deu um passo importante rumo à sustentabilidade ao conseguir rastrear a origem de cerca de 40% de seus grãos na temporada 2024/25. O avanço ocorre em um momento crucial, à medida que a União Europeia (UE) se prepara para implementar sua lei antidesmatamento, que deverá ser adiada por um ano, apesar de estar originalmente prevista para entrar em vigor em 30 de dezembro.

Segundo o Barômetro do Cacau, relatório publicado pela VOICE Network, o progresso da Costa do Marfim demonstra o esforço do país em adaptar-se às exigências internacionais de sustentabilidade. Com cerca de 900 mil produtores já registrados digitalmente, o sistema nacional de rastreabilidade integra um modelo de compras e vendas totalmente digitalizado, permitindo identificar a origem de cada lote de cacau comercializado.

Embora o percentual atual ainda não seja suficiente para atender plenamente às exigências da UE — já que dois terços do cacau marfinense têm como destino o mercado europeu —, a expectativa é que o rastreamento avance significativamente nesta nova temporada. “A Costa do Marfim está no caminho certo e poderá rastrear uma parcela muito maior dos seus grãos em breve”, afirmou Antonie Fountain, diretora da VOICE Network.

A Lei Antidesmatamento da UE (EUDR) busca eliminar os 10% do desmatamento global ligados ao consumo europeu de commodities como soja, carne bovina, óleo de palma, café, borracha, madeira e cacau, impondo que os importadores comprovem que seus produtos não estejam associados à destruição de florestas.

No entanto, o adiamento da medida surge em meio a forte oposição de países exportadores e parceiros comerciais da UE, como Brasil, Indonésia e Estados Unidos, que alegam que a regulamentação elevará custos e prejudicará pequenos produtores. O próprio bloco europeu enfrenta resistência interna, com críticas de que os sistemas tecnológicos necessários para viabilizar o controle ainda não estão totalmente operacionais.

O relatório da VOICE Network alerta que a instabilidade regulatória europeia pode enfraquecer os investimentos em sustentabilidade e atrasar compromissos ambientais globais. “A falta de confiabilidade regulatória da UE está causando graves danos à proteção planetária”, destacam Fountain e o coautor Friedel Huetz-Adams.

Enquanto isso, países africanos produtores de cacau, como Costa do Marfim e Gana, correm contra o tempo para adaptar suas cadeias produtivas às novas exigências, temendo restrições às exportações e perdas de competitividade no principal mercado comprador do mundo.

O debate sobre a lei antidesmatamento — e a resposta dos países produtores — promete ser um dos temas centrais nas discussões globais sobre comércio sustentável e rastreabilidade de commodities agrícolas nos próximos meses.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

Curtiu esse post? Compartilhe com os amigos!

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *