Cacau lidera alta das commodities com recompras de fundos e incertezas sobre safra africana

Por: Claudemir Zafalon

Os mercados de commodities encerraram a quarta-feira em forte volatilidade. O cacau voltou a atrair atenção dos investidores após registrar o maior ganho intradiário desde agosto, impulsionado por movimentos de recompra de posições vendidas dos fundos e por um conjunto de fatores fundamentais que reacenderam preocupações com a oferta global.

O contrato de dezembro na bolsa de Nova York (ICE) disparou 6,5%, oscilando entre a mínima de US$ 5.948 e a máxima de US$ 6.339, encerrando o pregão em US$ 6.298 por tonelada, com expressiva alta de US$ 382. O volume total negociado foi de 34.986 contratos, enquanto o interesse em aberto cresceu 1.010 contratos, atingindo 123.342, sinalizando entrada de novos participantes no movimento.

A forte recuperação foi atribuída principalmente à cobertura de posições vendidas (short covering) após uma sequência de quedas recentes. Rumores de que a implementação da Lei Europeia Antidesmatamento (EUDR) poderá ser adiada contribuíram para reduzir a pressão sobre exportadores africanos e reaquecer o sentimento de curto prazo.

Além disso, permanecem as preocupações com a qualidade e a quantidade da nova safra da Costa do Marfim, onde chuvas irregulares e relatos de grãos pequenos têm gerado incerteza sobre os volumes disponíveis para embarque. Os estoques certificados nos portos dos EUA, monitorados pela ICE, registraram leve queda para 1.854.690 sacas, reforçando o quadro de aperto logístico.

Petróleo reage a sanções dos EUA contra a Rússia

No cenário energético, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou sanções diretas contra as duas maiores petrolíferas russas, Rosneft e Lukoil, marcando uma nova escalada nas tensões entre Washington e Moscou. A medida levou ao cancelamento de uma reunião bilateral com o presidente Vladimir Putin, prevista para os próximos dias.

O mercado reagiu imediatamente: o petróleo bruto americano (WTI) superou US$ 60 por barril, alcançando as máximas de duas semanas. Embora o preço ainda registre queda anual de cerca de 15%, o movimento de alta reflete a percepção de risco geopolítico crescente e potenciais restrições na oferta global.

O contrato futuro de real/dólar com vencimento em 28 de outubro manteve estabilidade, cotado em R$ 5,405, em meio à ausência de novos catalisadores domésticos. O comportamento neutro do câmbio contribuiu para limitar variações mais intensas nas operações locais com commodities denominadas em dólar.

Fonte: mercadodocacau

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