O setor de cacau de Gana enfrenta uma ameaça crescente e altamente prejudicial para sua economia: o contrabando de amêndoas para países vizinhos. De acordo com dados oficiais do Conselho do Cacau de Gana (COCOBOD), o país perdeu mais de US$ 1,1 bilhão entre as temporadas 2021/22 e 2024/25 com a saída ilegal de dezenas de milhares de toneladas de cacau para a Costa do Marfim e o Togo. Essa prática tem causado um impacto profundo não apenas nas finanças públicas, mas também no sustento dos agricultores e no equilíbrio econômico de um setor historicamente conhecido como o “ouro marrom” de Gana.
As perdas mais expressivas ocorreram em 2023/24, quando aproximadamente 253 mil toneladas de cacau deixaram o território ganês sem registro, o que representou um prejuízo estimado em US$ 658,3 milhões ao Estado. Em 2021/22, as perdas somaram US$ 352,6 milhões, enquanto na temporada 2022/23 cerca de 52,7 mil toneladas foram desviadas, gerando impacto de US$ 131,7 milhões. Mesmo com uma redução no volume para 29,6 mil toneladas em 2024/25, as perdas ainda alcançaram US$ 143,7 milhões, uma demonstração de que o problema persiste.
Os efeitos negativos avançam por toda a cadeia produtiva. As Empresas de Compra Licenciadas (LBCs) registraram um prejuízo acumulado superior a GH¢ 1,6 bilhão nos quatro anos analisados, enquanto transportadores sofreram perdas próximas de GH¢ 182 milhões. Um dos principais fatores que estimulam o contrabando é a diferença de preços entre os países produtores da região: agricultores conseguem receber até 20% a 30% mais ao venderem ilegalmente nas fronteiras, o que fortalece redes organizadas que atuam em áreas de baixa fiscalização.
As regiões de Oeste Norte, Oeste Sul, Volta e Brong Ahafo se consolidaram como os principais corredores da prática ilegal, onde o fluxo de amêndoas ocorre por rotas alternativas conhecidas pelas comunidades locais. O governo, por meio do COCOBOD, tem reforçado medidas para enfrentar o problema, como o aumento do preço pago ao produtor, campanhas de conscientização e maior integração com agências de segurança para proteger as fronteiras. No entanto, especialistas alertam que tais ações vêm sendo implementadas há anos com resultados pouco efetivos.
O prejuízo econômico causado pelo contrabando também atinge setores essenciais da administração pública. Como o cacau é a segunda maior fonte de divisas do país depois do ouro, cada tonelada que deixa de ser exportada oficialmente representa menos entrada de moeda estrangeira, enfraquecendo o cedi, pressionando a inflação e limitando o investimento em infraestrutura, logística e programas de apoio ao produtor rural.
Analistas do setor defendem que combater o problema exige uma abordagem mais profunda e moderna, incluindo o uso de monitoramento por satélite, sistemas digitais de rastreabilidade da produção e identificação dos agricultores, além de uma redução estrutural na diferença de preços em relação aos países vizinhos. Sem avanços significativos, alertam, Gana corre o risco de ver o contrabando se consolidar como uma alternativa permanente para muitos produtores, ameaçando a competitividade do cacau ganês e a sustentabilidade econômica de milhares de famílias que dependem diretamente da cultura.
Fonte: mercadodocacau com informações newsghana


