Custos globais do cacau atingem a Mondelez e consumo desacelera nos EUA

A Mondelez International, dona de marcas como Lacta, Oreo e Trident, registrou alta de 3,4% na receita líquida orgânica no terceiro trimestre de 2025, impulsionada principalmente por reajustes de preços, mas teve seus lucros duramente pressionados pela disparada dos custos do cacau. O balanço divulgado na terça-feira (28) mostra que o lucro operacional ajustado da companhia recuou 33,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o lucro por ação ajustado caiu 24,2%. Ainda que as vendas tenham apresentado desempenho favorável em mercados desenvolvidos e emergentes, com crescimento de 1,2% e 7,1%, respectivamente, a margem operacional foi impactada pela inflação de insumos e pela demanda enfraquecida nos Estados Unidos, onde as receitas chegaram a cair 0,3% no consolidado regional.

No trimestre, o total de produtos comercializados diminuiu 4,6%, ao mesmo tempo em que os preços médios subiram cerca de 8%, evidenciando a sensibilidade do consumidor aos preços mais altos do chocolate e confeitaria. O resultado foi agravado pela escalada histórica do cacau nos últimos meses, que elevou custos industriais e provocou queda de 21,3% no lucro bruto ajustado.

O segmento de chocolates permaneceu como motor do crescimento da Mondelez, com aumento de 8,2% nas receitas orgânicas, apoiado majoritariamente pelos reajustes de preços. Já a unidade de biscoitos e snacks assados avançou apenas 1,2%, refletindo um ritmo mais lento de consumo, sobretudo no mercado norte-americano. Em contrapartida, a América Latina foi destaque positivo, com alta de 4,7% na receita, seguida por Ásia, Oriente Médio e África, com 5%, e Europa, com 4%. Mesmo em um ambiente global adverso, a empresa informou que aproximadamente 70% de suas categorias de produtos ganharam ou sustentaram participação de mercado ao longo do ano.

Apesar do encolhimento das margens, a Mondelez reforçou sua solidez financeira ao reportar fluxo de caixa livre de US$ 1,2 bilhão no trimestre. Até setembro, já havia desembolsado US$ 1,9 bilhão em recompras de ações, a um preço médio de US$ 59, e distribuído outros US$ 1,8 bilhão em dividendos aos acionistas, mostrando compromisso com o retorno de capital.

Com o cenário ainda pressionado pelos custos do cacau, a companhia revisou suas projeções para 2025 e agora espera crescimento orgânico de receitas acima de 4%, porém com queda de aproximadamente 15% no lucro por ação ajustado, considerando base cambial constante. A expectativa de melhora mais consistente foi transferida para 2026, baseada na perspectiva de redução dos preços do cacau e provável superávit global na safra 2025/26, que vem contribuindo para a recente estabilização das cotações internacionais.

Para recuperar margens e competitividade, a Mondelez afirmou que intensificará investimentos em marcas e inovação, além de ampliar iniciativas de eficiência operacional, com foco especial na cadeia logística da América do Norte. Esses ajustes devem ajudar a companhia a atravessar um período marcado por forte pressão sobre custos e mudanças comportamentais no consumo de chocolate, ainda em adaptação ao novo patamar de preços no mercado global do cacau.

Fonte: mercadodocacau com informações cnbc

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