Por: Claudemir Zafalon
O mercado de cacau voltou a recuar nas últimas sessões, revertendo rapidamente os ganhos obtidos após o entusiasmo com a inclusão da commodity no Índice de Commodities da Bloomberg (BCOM) a partir de 2026. Em apenas quatro dias, o preço acumulou alta de cerca de US$ 600 por tonelada — movimento que foi totalmente eliminado em pouco mais de uma sessão e meia, refletindo forte liquidação de posições compradas e operações de hedge.
Na quinta-feira, o contrato de março na bolsa de Nova York (ICE Futures US) oscilou entre a mínima de US$ 6.201 e a máxima de US$ 6.377 por tonelada, encerrando o dia a US$ 6.272, com queda de US$ 197. O volume negociado foi de 14.595 contratos, enquanto o total de posições em aberto caiu 1.432, para 119.902 contratos. No contrato de dezembro — que entra em liquidação física no dia 21 de novembro — o recuo foi ainda mais expressivo, com 4.179 contratos a menos, totalizando 32.299.
Os estoques certificados nos portos americanos, monitorados pela ICE, continuam diminuindo e registraram nova redução de 13.040 sacas, chegando a 1.793.757 sacas — um dos níveis mais baixos do ano. A queda constante dos estoques reforça a percepção de escassez física, mas ainda não foi suficiente para sustentar os preços diante do enfraquecimento da demanda global e da realização de lucros por parte dos investidores.
Os riscos climáticos na África Ocidental — principal região produtora mundial — continuam sendo observados de perto, especialmente com a chegada do período do Harmattan, ventos secos e quentes vindos do Saara que podem afetar tanto a floração quanto a secagem dos frutos. Analistas avaliam que o impacto pode ser positivo ou negativo, dependendo da intensidade e duração do fenômeno.
Apesar dessas incertezas, o consenso no mercado é de que a demanda global segue enfraquecida, especialmente após os resultados decepcionantes das moagens no terceiro trimestre. Além disso, o debate em torno da regulamentação europeia de desmatamento (EUDR) voltou a gerar apreensão, já que declarações recentes indicam que a aplicação plena da medida pode não ocorrer em meados de 2026, como se esperava — fator que pode introduzir nova volatilidade no mercado.
No câmbio, o contrato futuro de real x dólar com vencimento em 28 de novembro opera estável nesta sexta-feira (7), cotado a R$ 5,375. O equilíbrio do câmbio ajuda a reduzir a pressão sobre os preços internos do cacau no Brasil, mas o cenário global segue dominado por incertezas — tanto climáticas quanto regulatórias — que mantêm o mercado em modo de correção após semanas de forte oscilação.
Fonte: mercadodocacau


