Cacau testa novas máximas com efeito BCOM, mas passa por ajuste após forte alta

Por: Claudemir Zafalon

Os contratos futuros de cacau voltaram a ganhar destaque na última sessão ao romperem a importante resistência técnica de US$ 6.250 por tonelada, alcançando o maior nível desde 12 de dezembro. O movimento foi impulsionado, sobretudo, pelas expectativas de compras relacionadas a índice, em função da inclusão do contrato de cacau no Bloomberg Commodity Index (BCOM) a partir de janeiro, fator que tende a atrair fluxo automático de recursos por parte de fundos indexados.

Na sessão anterior, o mercado encerrou com uma valorização expressiva de 4,85%, refletindo forte apetite comprador e cobertura de posições. Contudo, após o rali, os preços passaram por um movimento técnico de correção. Na manhã desta terça-feira (30/12), o contrato com vencimento em março opera em queda de 3,57%, sendo negociado a US$ 6.019/ton, em um ajuste considerado natural diante da intensidade da alta recente.

No campo fundamental, os dados seguem oferecendo sustentação ao mercado. As chegadas de cacau aos portos da Costa do Marfim somaram 1,02 milhão de toneladas no período entre 1º de outubro e 28 de dezembro, volume que representa uma queda de 2,5% em relação ao mesmo intervalo da safra anterior. O dado reforça a leitura de que a oferta global permanece apertada, apesar de expectativas mais otimistas para o final da temporada principal.

Outro ponto relevante veio dos estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos, que recentemente atingiram o menor nível em 9,5 meses, evidenciando a restrição de disponibilidade física no mercado internacional. Ainda que na última leitura tenha sido registrado um leve aumento, os volumes seguem historicamente baixos para este período do ano.

No campo climático, agricultores marfinenses relataram que as chuvas recentes devem favorecer as colheitas entre fevereiro e março, resultando frutos maiores e mais abundantes quando comparadas ao mesmo período da temporada passada. Apesar do alívio pontual, o mercado segue cauteloso quanto à capacidade dessas melhorias compensarem integralmente as perdas acumuladas ao longo do ciclo.

No pregão, o contrato de cacau março oscilou entre a mínima de US$ 5.901 e a máxima de US$ 6.345, encerrando o dia a US$ 6.242/ton, com ganho de US$ 289. Foram negociados 15.241 contratos, com volume total de 29.251 contratos. O interesse em aberto estimado avançou em 742 contratos, alcançando 125.135 contratos, sinalizando manutenção do interesse especulativo e institucional.

Já os estoques certificados nos portos norte-americanos registraram aumento de 1.176 sacas, totalizando 1.627.281 sacas, ainda em patamares considerados restritos do ponto de vista histórico.

No mercado cambial, após a forte movimentação do dia anterior, o contrato futuro do dólar com vencimento em 31/12/2025 opera estável nesta terça-feira, cotado a R$ 5,55, sem exercer pressão adicional relevante sobre as commodities no curto prazo.

O cenário indica que, apesar do ajuste técnico em andamento, o cacau segue sustentado por fundamentos apertados e pelo novo componente financeiro associado ao BCOM, mantendo o mercado atento a novos desdobramentos tanto do lado da oferta quanto da demanda global.

Fonte: mercadodocacau

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