Por: Claudemir Zafalon
O mercado internacional do cacau atravessa um momento de consolidação de preços na faixa de US$ 6 mil por tonelada, às vésperas do início do balanceamento da posição do Índice de Commodities da Bloomberg (BCOM). A inclusão oficial dos contratos futuros de cacau no índice passa a valer a partir de 8 de janeiro, fator que tem gerado maior atenção dos investidores e contribuído para o aumento da volatilidade recente.
Do lado fundamental, os dados mais recentes de exportação da Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, indicam um cenário ainda apertado de oferta. Entre 1º de outubro e 4 de janeiro, os embarques totalizaram 1,071 milhão de toneladas, volume 3,4% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior, reforçando preocupações com a disponibilidade do produto no mercado global.
Na análise técnica, o mercado encontra suporte importante na região de US$ 5.750/ton, enquanto as principais resistências estão localizadas entre US$ 6.150 e US$ 6.350/ton. Esses níveis devem servir como referência para os próximos movimentos, especialmente em meio ao reposicionamento de fundos atrelados ao BCOM.
Na sessão de terça-feira, o contrato de cacau com vencimento em março apresentou forte oscilação, variando entre a mínima de US$ 5.944 e a máxima de US$ 6.166, encerrando o dia a US$ 5.954/ton, com queda de US$ 123. Foram realizados 13.556 negócios, com volume total de 29.917 contratos. O interesse em aberto estimado aumentou em 1.199 contratos, atingindo 127.483 contratos, sinalizando manutenção do interesse especulativo e institucional.
Os estoques certificados nos portos dos Estados Unidos, monitorados pela ICE, voltaram a recuar, com redução de 4.285 sacas, totalizando agora 1.638.018 sacas, o que também sustenta o viés de aperto no curto prazo.
Do ponto de vista técnico, o Índice de Força Relativa (RSI) do contrato de março, com o preço ao redor de US$ 5.970, está em 51%, indicando um mercado relativamente equilibrado, sem sinais claros de sobrecompra ou sobrevenda.
No mercado cambial, o contrato futuro do dólar com vencimento em 30 de janeiro de 2026 opera de forma estável, cotado a R$ 5,42, fator que limita impactos adicionais sobre os preços domésticos atrelados às commodities.
Para esta sessão, os investidores também acompanham com atenção a divulgação de importantes indicadores econômicos dos Estados Unidos, incluindo os dados de emprego no setor privado (ADP Employment), o Índice ISM da atividade industrial, além de informações sobre renda do trabalho e novos pedidos à indústria, que podem influenciar o humor dos mercados globais e, indiretamente, o desempenho das commodities.
Fonte: mercadodocacau


