Paulo Peixinho*
paulo@cacaupeixinho.com
Em 27/10/2025 em artigo publicado nos sites cacau e cultura e mercado do cacau:
“O Brasil é um caso diferente, tradicionalmente produtor e exportador de cacau, produtos e chocolates, tornou-se importador de amêndoas a partir de janeiro de 1995.
O mercado de comercialização de cacau em amêndoas na Bahia, está totalmente desregulado, … Hoje, sem o exportador, o preço ao produtor no Brasil, está abaixo dos preços na Costa do Marfim e Gana, pela primeira vez na história.
O momento é propício para a organização da cadeia agroalimentar do cacau e chocolate, com uma instituição privada com a participação de um representante do governo, para ser um espaço de diálogo entre os atores da cadeia. Existe a Câmara do Cacau e Chocolate, porém a sugestão é uma instituição local Ilhéus/Itabuna, com reuniões semanais (on line), agenda, discussões.
O que falta para o cacauicultor sulbaiano construir seu “Novo Normal”? Vai esperar e viver o “Normal Anterior”?
O futuro é promissor para o mercado de cacau, mas será para o Sul da Bahia?”
Ao fazer as observações acima, os preços do cacau em Nova Iorque estavam a U$ 6.192 TM e o preço ao produtor R$ 520,00@. Hoje, 90 dias depois (27/1/2026),o preço em NY US$ 4.420 e ao produtor R$ 240,00@..(mercadodocacau.com.br)
O preço do cacau na bolsa é reflexo do balanço entre oferta e demanda, uma variável incontrolável. Porém, devido à estrutura atual do sistema de comercialização e a falta de um órgão regulador, o produtor tem sido um elo passivo – aquele que apenas aceita o preço imposto, sem acesso aos mesmo instrumentos por quem compra.
- As indústrias tem acesso as Bolsas Internacionais para fazer o hegde (seguro contra variação dos preços), o produtor não.
- As indústrias podem importar cacau com incentivo fiscal (Drawback) para ter plena produção do parque industrial, o produtor por falta de estrutura coloca cacau físico à ordem (consignação) na indústria que pode moer. (crédito indireto)
- As industrias tem acesso à crédito, o produtor não.
Isso não é mercado livre. É assimetria. Isso não é parceria. É concentração de risco.
Sustentabilidade não pode ser seletiva. Sem sustentabilidade econômica não há sustentabilidade ambiental e social.
Não acredito que a indústria queira esmagar seus fornecedores deliberadamente. Mas também não é aceitável naturalizar práticas que fragilizam a base produtiva brasileira.
Qual a lógica econômica desse deságio? Não há conspiração. Há miopia.
Os produtores de cacau não pede favores. Pede acesso a instrumentos de mercado, previsibilidade mínima, diálogo estruturado e respeito à lógica econômica.
Um convite objetivo para o diálogo com os atores do complexo agroindustrial do cacau é muito mais vantajoso.
Paulo Peixinho é produtor de cacau
https://www.cacauechocolate.com.br/v1/2025/10/27/cacau-e-chocolate-qual-o-nov
https://mercadodocacau.com.br/colunas/cacau-e-chocolate-qual-o-novo-normal/

