Cacau tenta se firmar após recuperação técnica, mas pressão ainda domina o mercado

Por: Claudemir Zafalon

Após um rali recente impulsionado pela cobertura de posições vendidas, o mercado internacional do cacau entrou em um movimento de consolidação ao redor da faixa de US$ 4.300 por tonelada neste encerramento de mês. Apesar da reação técnica, o sentimento predominante entre analistas permanece baixista, com a avaliação de que eventuais repiques devem continuar sendo utilizados como oportunidades de venda.

Dados oficiais do governo da Costa do Marfim indicam que as entradas de cacau na safra atual somam 1,25 milhão de toneladas, volume 3,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Embora esse recuo ofereça algum suporte fundamental, o mercado já precifica níveis significativamente mais baixos em relação aos patamares observados no início de 2024, refletindo um ambiente de demanda fragilizada e maior cautela dos agentes financeiros.

No pregão mais recente, o contrato de cacau com vencimento em março apresentou forte volatilidade, oscilando entre a mínima de US$ 4.268 e a máxima de US$ 4.484 por tonelada, caracterizando um inside day. O fechamento ocorreu em US$ 4.433, com alta de US$ 85. O número de negócios totalizou 13.286, enquanto o volume negociado alcançou 32.358 contratos. O interesse em aberto recuou em 1.049 contratos, encerrando o dia em 149.610, sinalizando redução na exposição líquida do mercado.

No campo dos estoques, os volumes certificados nos portos dos Estados Unidos, monitorados pela ICE, registraram aumento de 17.741 sacas, totalizando 1.773.618 sacas. A recomposição dos estoques adiciona um fator adicional de pressão, limitando movimentos mais consistentes de recuperação dos preços no curto prazo.

Do ponto de vista técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) do cacau opera próximo da região de 30%, indicando condição de mercado ainda pressionada e flertando com níveis de sobrevenda. As resistências mais relevantes estão localizadas entre US$ 4.500 e US$ 4.600, com um patamar psicológico importante na região de US$ 5.000. Já os suportes concentram-se entre US$ 4.200 e US$ 4.050; abaixo dessa faixa, o mercado pode buscar níveis mais profundos, próximos de US$ 3.800 por tonelada.

No ambiente macroeconômico, o cenário cambial segue exercendo influência indireta sobre o mercado. As elevadas taxas de juros no Brasil continuam atraindo capital estrangeiro, promovendo forte entrada de dólares no país e pressionando a taxa de câmbio. O contrato futuro de dólar com vencimento em 30 de janeiro de 2026 opera em tom fraco, ao redor de R$ 5,19, movimento que tende a impactar as estratégias de comercialização e hedge dos agentes da cadeia do cacau no mercado doméstico.

Fonte: mercadodocacau

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