Especuladores reduzem posições vendidas, mas seguem pressionando o mercado de cacau

Por: Claudemir Zafalon

Mercado acompanha rolagens do contrato março, queda nos estoques certificados e níveis técnicos sobrevendidos

Os especuladores no mercado de cacau reduziram suas posições vendidas na última semana entre 2 mil e 3 mil lotes. Ainda assim, permanecem com uma posição líquida vendida expressiva, estimada em cerca de 12.704 contratos até a última terça-feira, sinalizando que a pressão baixista continua presente no curto prazo.

Apesar da redução, os fundos já começam a realizar lucros com essas posições. O movimento ocorre em meio à pressão sobre os preços, que forçou compradores de cacau na origem a fixarem valores, além do acionamento de ordens automáticas de venda (stops), ampliando a volatilidade recente.

O contrato março entra agora no período de troca de posições (rolagens), com a liquidação física prevista para ter início no dia 23 de fevereiro. Esse fator tende a aumentar a oscilação entre os vencimentos, especialmente com a migração de posições para contratos mais longos, como maio.

Na sexta-feira, o contrato maio apresentou forte amplitude, oscilando entre a mínima de US$ 3.988 e a máxima de US$ 4.293, encerrando o pregão a US$ 4.226 por tonelada, com leve queda de US$ 12 no dia.

O número de negócios alcançou 17.639, com volume total de 50.660 contratos. Já o interesse em aberto estimado registrou aumento de 1.403 contratos, totalizando 153.662, o que indica entrada líquida de novas posições no mercado.

Os estoques certificados nos portos dos Estados Unidos monitorados pela ICE voltaram a recuar, com redução de 5.373 sacas, somando agora 1.769.846 sacas. A diminuição contínua dos estoques permanece como um fator estrutural de sustentação para os preços no médio prazo.

No campo técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) do cacau está operando em torno de 25%, nível que caracteriza um mercado fortemente sobrevendido e que pode abrir espaço para correções técnicas, caso surjam novos estímulos de compra.

As principais resistências para o contrato de maio estão nas regiões de US$ 4.300 e, em seguida, US$ 4.550. Já os suportes se encontram nas áreas de US$ 3.900 e US$ 3.700 por tonelada.

No mercado cambial, o contrato futuro do dólar março, com vencimento em 27 de fevereiro de 2026, é negociado nesta manhã a R$ 5,28, fator que segue influenciando a formação de preços para produtores e exportadores.

Além disso, o mercado acompanha de perto o cronograma de divulgação de resultados das grandes indústrias do setor, que pode trazer sinais importantes sobre demanda:

  • Mondelez – terça-feira, 3 de fevereiro

  • Hershey e Nestlé – quinta-feira, 5 de fevereiro

  • Meiji Holdings – 12 de fevereiro

O desempenho dessas empresas pode ajudar a calibrar as expectativas do mercado quanto ao consumo global de chocolate e derivados, em um momento de elevada volatilidade e atenção redobrada aos fundamentos.

Fonte: mercadodocacau

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