Costa do Marfim retoma vendas de cacau após impasse de preços e tenta reequilibrar mercado

A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, retomou as vendas da safra 2025/26 após meses de impasse com compradores internacionais. A decisão veio depois de ajustes nos preços e da revisão de taxas que incidiam sobre o produto, em uma tentativa de alinhar os valores praticados internamente aos do mercado global.

O entrave teve início quando exportadores rejeitaram o preço fixo de 2.800 francos CFA (cerca de US$ 5,09) por quilo, estabelecido pelo governo marfinense. A tarifa se tornou pouco competitiva após uma queda de aproximadamente 50% nas cotações internacionais do cacau, segundo informações da Bloomberg. Com isso, as negociações foram interrompidas e grandes volumes da produção ficaram retidos.

Para destravar o mercado, o Conselho de Café e Cacau (CCC) reduziu ou eliminou o chamado “prêmio país”, uma taxa adicional aplicada ao cacau da Costa do Marfim. A medida buscou tornar o produto mais atrativo aos compradores estrangeiros e reabrir canais de exportação.

O atraso nas vendas resultou no acúmulo de mais de 200 mil toneladas de cacau não comercializadas até o fim da safra principal, gerando preocupações quanto à deterioração dos grãos e possíveis impactos na cadeia de suprimentos.

Em janeiro de 2026, o CCC adquiriu cerca de 100 mil toneladas de grãos não vendidos por aproximadamente US$ 500 milhões, acelerou a comercialização da safra intermediária e assegurou outras 200 mil toneladas para processamento. As ações ajudaram a reduzir a pressão sobre os estoques e a reorganizar o fluxo do produto no mercado.

Apesar da retomada das vendas, o cenário ainda inspira cautela. A demanda global enfraquecida e os riscos associados ao armazenamento prolongado podem afetar a qualidade do cacau e pressionar ainda mais os preços.

Juntas, Costa do Marfim e Gana respondem por cerca de 60% da produção mundial de cacau. Nos últimos meses, porém, a cadeia de suprimentos enfrentou uma crise crescente, com estoques elevados tanto nas regiões produtoras quanto nos portos de exportação, evidenciando a vulnerabilidade do setor diante das oscilações do mercado internacional.

Fonte: mercadodocacau com informações ghanaweb

Curtiu esse post? Compartilhe com os amigos!

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *