Produtores de cacau em Gana relatam atraso em pagamentos apesar da liberação de recursos pelo governo

O setor cacaueiro de Gana enfrenta um novo episódio de tensão financeira. Produtores do país afirmam que ainda não receberam pagamentos pelas entregas de cacau realizadas desde novembro de 2025, mesmo após o Conselho do Cacau de Gana (COCOBOD) anunciar a liberação de recursos para quitar os débitos acumulados.

Na semana passada, o regulador informou ter disponibilizado 3,62 bilhões de cedis ganeses (aproximadamente US$ 336,7 milhões) para as Empresas Compradoras Licenciadas (Licensed Buying Companies – LBCs). A medida foi autorizada pelo Ministério das Finanças com o objetivo de regularizar pagamentos pendentes aos agricultores e aliviar a pressão de liquidez sobre o setor.

Apesar do anúncio oficial, produtores e agentes de compra afirmam que o dinheiro ainda não chegou até a base da cadeia produtiva. A situação tem gerado desconfiança entre agricultores e intermediários, levantando questionamentos sobre o destino dos recursos liberados.

O escriturário de compras Osei Bonsu relatou que as entregas continuam sem pagamento há vários meses. Segundo ele, os agricultores acreditam que os compradores estão retendo os valores, quando na realidade as empresas também não receberam os repasses.

Outro funcionário de compras, Enoch Egyir, afirmou que ainda existem valores pendentes tanto referentes ao preço anterior do cacau quanto ao novo preço anunciado em fevereiro. Ele destacou que produtores aguardam pagamento por entregas realizadas antes e depois da recente revisão do preço oficial.

Entre os agricultores, o sentimento é de frustração. O produtor Ebenezer Asiful afirmou que ainda aguarda pagamento por mais de 35 sacas entregues desde dezembro, além de outras 11 sacas fornecidas após a redução recente dos preços.

“Ouvi nas notícias que o COCOBOD liberou os fundos. Então como é possível que a empresa compradora com quem trabalhamos ainda não tenha recebido dinheiro para nos pagar?”, questionou o produtor.

Representantes do setor pedem cautela e afirmam que os pagamentos não podem ser realizados simultaneamente para todos os agricultores do país. Segundo Samuel Adimado, presidente da Associação de Compradores Licenciados de Cacau de Gana, o processo de liberação dos recursos ainda está em andamento.

Ele ressaltou que o país possui entre 800 mil e 1 milhão de produtores de cacau, o que torna logisticamente impossível realizar todos os pagamentos ao mesmo tempo. De acordo com Adimado, a COCOBOD segue liberando recursos gradualmente para as empresas compradoras.

Outro fator que complica o cenário é o elevado nível de endividamento das empresas compradoras. Atualmente, as LBCs acumulam entre 7 e 8 bilhões de cedis em dívidas com bancos locais, contraídas principalmente para financiar antecipadamente a compra de cacau dos produtores.

Diante desse quadro, a associação orientou seus membros a priorizarem o pagamento aos agricultores assim que receberem qualquer repasse da COCOBOD, mesmo diante das pressões do sistema bancário.

A situação reforça as dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor cacaueiro ganês nos últimos meses. Problemas de liquidez, custos elevados de financiamento e instabilidade nos preços internacionais têm pressionado a cadeia produtiva do país, que é o segundo maior produtor mundial de cacau, atrás apenas da Costa do Marfim.

Enquanto os recursos prometidos não chegam efetivamente aos produtores, cresce a preocupação entre agricultores de que os atrasos possam comprometer ainda mais a confiança e a estabilidade do sistema de comercialização do cacau em Gana.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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