A fabricante suíça de chocolates premium Lindt & Sprüngli revisou para baixo sua expectativa de crescimento para 2026, citando os efeitos das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre a confiança dos consumidores e sobre o fluxo turístico global. O anúncio provocou forte reação no mercado financeiro, com queda acentuada das ações da companhia.
Segundo a empresa, a nova estimativa aponta para crescimento orgânico de vendas entre 4% e 6% em 2026, abaixo da projeção anterior de 6% a 8%. O ajuste reflete um cenário mais cauteloso para o consumo de produtos premium, especialmente em regiões fortemente dependentes do turismo internacional.
Durante coletiva de imprensa, o CEO Adalbert Lechner destacou que os primeiros sinais de desaceleração começaram a aparecer logo após o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
“Quando as tensões geopolíticas no Oriente Médio começaram, vimos claramente os consumidores se contendo”, afirmou o executivo.
Além da redução no consumo, a companhia também observou impacto direto sobre o turismo, fator particularmente sensível para o modelo de vendas da Lindt. Uma parcela relevante das receitas da marca vem de lojas localizadas em aeroportos e destinos turísticos internacionais, como Londres, Paris e Viena, que dependem fortemente do fluxo de viajantes.
A revisão das expectativas pressionou fortemente os papéis da companhia no mercado europeu. As ações com direito a voto da Lindt caíram 7,8%, enquanto os certificados de participação recuaram 10,9%, configurando o pior desempenho diário desde outubro de 1987.
O movimento evidencia a preocupação dos investidores com o cenário de desaceleração do consumo global de chocolate premium, justamente em um momento em que a indústria ainda lida com os efeitos da forte volatilidade nos preços do cacau.
Preços mais altos compensam custos do cacau
Apesar do ambiente mais cauteloso para o consumo, a empresa apresentou resultado operacional acima das expectativas. A Lindt registrou lucro antes de juros e impostos (EBIT) de 971 milhões de francos suíços em 2025, superando a previsão média dos analistas de 968,9 milhões de francos, segundo dados compilados pela LSEG.
O resultado representou crescimento de aproximadamente 10% no lucro operacional anual, impulsionado principalmente pelos reajustes de preços implementados ao longo do ano para compensar a disparada das cotações do cacau no mercado internacional.
As vendas orgânicas da companhia também apresentaram desempenho robusto em 2025, com crescimento de 12,4%, resultado apoiado por um aumento médio de 19% nos preços dos produtos.
Para 2026, a estratégia da empresa continuará baseada em repasse de custos. De acordo com Lechner, a companhia seguirá aumentando os preços no primeiro semestre, com reajustes de dois dígitos para os produtos da Páscoa, principal período de vendas da indústria chocolateira.
A expectativa da empresa é de queda de volumes no primeiro semestre, reflexo do impacto dos preços mais elevados sobre o consumo. A Lindt projeta, contudo, que o crescimento dos volumes volte a aparecer no segundo semestre, à medida que o mercado absorva os reajustes.
O cenário reforça uma tendência cada vez mais evidente na indústria global de chocolate: mesmo com aumento de preços para compensar os custos das matérias-primas, o setor enfrenta desafios crescentes para manter o ritmo de consumo diante de um ambiente econômico global marcado por incertezas geopolíticas e maior sensibilidade dos consumidores aos preços.
Fonte: mercadodocacau com informações reuters


