Cacau testa suporte em NY após fala de Trump e ampliação de apostas baixistas

Por: Claudemir Zafalon

O mercado internacional de cacau encerrou a última sexta-feira em leve queda na bolsa de Nova York, refletindo principalmente o aumento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, China e Irã, além do avanço das posições vendidas por fundos especulativos.

Os produtos agrícolas, incluindo o cacau, foram pressionados após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que poderá adiar a cúpula prevista com o presidente chinês Xi Jinping, marcada para o final do mês. A decisão estaria condicionada à postura da China em relação à reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica do comércio global de petróleo que foi recentemente fechada pelo Irã.

A possibilidade de agravamento das tensões comerciais e logísticas no Oriente Médio aumentou a cautela dos investidores e acabou influenciando negativamente diversos mercados de commodities.

Desempenho do contrato em Nova York

O contrato de cacau com vencimento em maio encerrou o pregão cotado a US$ 3.297 por tonelada, registrando queda de US$ 18 no dia. Durante a sessão, os preços oscilaram entre mínima de US$ 3.270 e máxima de US$ 3.390.

O volume de negócios somou 29.758 contratos, distribuídos em 11.783 operações, enquanto o interesse em aberto apresentou redução de 465 contratos, ficando em 189.076 contratos.

No campo técnico, o Índice de Força Relativa (RSI) do cacau encontra-se próximo de 41%, indicando um mercado ainda pressionado, mas distante de níveis considerados de sobrevenda extrema.

Outro fator acompanhado pelos participantes do mercado foi o avanço dos estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos.

Os volumes aumentaram 15.080 sacas, alcançando um total de 2.266.484 sacas, sinalizando maior disponibilidade física no curto prazo e contribuindo para limitar movimentos de recuperação mais fortes nos preços.

Dados do relatório semanal da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) também reforçaram o viés baixista do mercado. No período entre 3 e 10 de março, os fundos especulativos aumentaram suas posições vendidas em 7.230 contratos, passando a deter posição líquida vendida de 15.151 contratos.

Esse movimento indica que parte relevante do mercado financeiro segue apostando em novas quedas ou em um período prolongado de consolidação das cotações.

No campo gráfico, operadores indicam resistência nas regiões de US$ 3.500 e US$ 3.800 por tonelada, enquanto os principais suportes estão nas áreas de US$ 3.150 e US$ 2.900.

No mercado cambial, o contrato futuro Real x Dólar com vencimento em 31 de março de 2026 é negociado próximo de R$ 5,30, fator que continua sendo observado pelos exportadores brasileiros, já que a taxa de câmbio exerce influência direta na competitividade do cacau nacional no mercado internacional.

Com a proximidade do vencimento do contrato março/2026, que expira nesta segunda-feira, o mercado também acompanha as entregas físicas acumuladas de 793 contratos, um indicador importante do fluxo de liquidação no mercado futuro.

Fonte: mercadodocacau

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