Impacto do cacau ainda pesa no bolso e redefine consumo de chocolate na Páscoa de 2026

A forte valorização do cacau registrada no mercado internacional a partir de 2024 continua repercutindo de forma significativa ao longo de toda a cadeia do chocolate, com reflexos diretos no bolso do consumidor brasileiro. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que os preços de chocolates em barra e bombons acumularam alta de 24,77% nos 12 meses encerrados em janeiro, evidenciando a persistência do impacto inflacionário no setor.

Segundo avaliação de Matheus Pedrosa, presidente do Conselho de Tecnologia e Inovação da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a escalada dos preços da matéria-prima foi determinante para esse movimento. De acordo com ele, o cacau atingiu níveis historicamente elevados a partir de novembro de 2024, permanecendo em patamares elevados ao longo de 2025, o que provocou um processo de destruição de demanda, especialmente nos mercados mais sensíveis a preço.

Mesmo com a recente correção nas cotações internacionais, que chegaram a registrar queda superior a 60% no início de 2026, impulsionada pela recomposição gradual da oferta global, os efeitos dessa retração ainda não são percebidos pelo consumidor final. Isso ocorre porque grande parte da indústria ainda trabalha com estoques adquiridos durante o período de pico dos preços, o que mantém os custos elevados e sustenta os preços no varejo.

Esse descompasso entre a queda das cotações internacionais e os preços ao consumidor deve marcar a Páscoa de 2026, que tende a apresentar produtos mais caros, apesar do recuo recente da commodity. O cenário reflete um ajuste natural da cadeia, que ainda absorve os efeitos de um dos ciclos mais extremos já registrados no mercado de cacau.

Além dos preços elevados, observa-se também uma mudança no comportamento de consumo. Levantamento da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais aponta que os consumidores vêm priorizando produtos mais acessíveis. Neste ano, 36,7% dos entrevistados indicaram preferência por barras de chocolate, enquanto 35,5% optam por bombons. Já os tradicionais ovos de Páscoa aparecem com menor participação, sendo a escolha de 27,8% dos consumidores.

O movimento reforça uma tendência já observada pela indústria: a diversificação do portfólio e a valorização de formatos com melhor custo-benefício, diante de um ambiente ainda pressionado por custos elevados. Para o setor, o desafio agora é equilibrar a recomposição da demanda com a necessidade de ajuste de preços, em um momento em que o mercado global de cacau entra em uma nova fase de transição.

Fonte: mercadodocacacau

*com informações diariodocomercio

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