Cacau oscila em meio à volatilidade internacional com conflito no Oriente Médio
Os futuros de cacau apresentaram volatilidade elevada na última semana, influenciados principalmente pela alta dos preços do petróleo e pela intensificação do conflito no Oriente Médio, que voltou a figurar como um importante vetor de estresse para o mercado de commodities. Embora o cacau não apresente uma correlação direta com o petróleo, o encarecimento do diesel e do gás natural já deve ter surtido impacto marginal sobre os custos da cadeia de cacau, seja via transporte, seja nos custos operacionais da indústria beneficiadora.
Entre 13 e 20 de março, os contratos futuros de cacau recuaram moderadamente nos mercados internacionais. Em Nova Iorque, o contrato para maio de 2026 recuou 1,2%, encerrando a segunda‑feira a USD 3.255 por tonelada. Em Londres, o contrato equivalente encerrou o mesmo período praticamente estável a GBP 2.414 por tonelada.
No campo de fundamentos, a semana trouxe poucas novidades específicas para o setor cacaueiro. A atenção dos investidores permanece voltada especialmente para as condições de demanda no Oeste Africano, após a redução dos preços fixos pagos aos produtores nos principais países da região e a divulgação de novos dados de moagem na Costa do Marfim. No âmbito da oferta, participantes do mercado passam a monitorar mais de perto a possibilidade de um El Niño em 2026, que em geral tende a ser prejudicial à produção global de cacau.
No início dessa semana, os futuros de cacau passaram a recuar nas principais bolsas, acompanhando a desvalorização de quase 10% do petróleo tipo Brent nesta segunda-feira (23), após a declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para a suspensão temporária das ofensivas pelos próximos cinco dias. Caso o arrefecimento do conflito se confirme, a redução dos prêmios de risco, bem como das preocupações com novas altas nos fretes, tende a diminuir os impactos sobre os preços de commodities.

