Cessar-fogo entre EUA e Irã alivia mercados, mas cacau rompe suportes e amplia pressão baixista

Por: Claudemir Zafalon

O anúncio de um cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã trouxe um alívio imediato aos mercados globais nesta quarta-feira, reduzindo a aversão ao risco e provocando movimentos relevantes em diferentes classes de ativos. A trégua de duas semanas foi inicialmente comunicada pelo presidente Donald Trump na noite de terça-feira, pouco antes do prazo estipulado para que Teerã reabrisse o estratégico Estreito de Ormuz, ponto sensível para o fluxo global de petróleo.

A reação foi rápida. Os preços do petróleo recuaram cerca de 15%, retornando para níveis abaixo de US$ 100 por barril, enquanto bolsas de valores e títulos registraram ganhos, refletindo a melhora no apetite por risco. O dólar, por sua vez, perdeu parte da força recente, à medida que diminuiu a busca por ativos considerados porto seguro. Ainda assim, o ambiente segue marcado por cautela, já que investidores permanecem atentos à real duração da trégua e à possibilidade de uma solução mais duradoura para o conflito, especialmente diante de seus impactos sobre o setor energético global.

No mercado de cacau, o movimento foi predominantemente técnico e negativo. O contrato com vencimento em maio rompeu importantes níveis de suporte e aprofundou as perdas, encerrando o pregão cotado a US$ 3.028 por tonelada, com queda expressiva de US$ 207. Ao longo do dia, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 2.992 e a máxima de US$ 3.217, evidenciando elevada volatilidade. O volume negociado chamou atenção, com 67.970 contratos movimentados em 22.864 negócios, enquanto o interesse em aberto avançou para 204.216 contratos, sinalizando entrada de novas posições no mercado.

Os fundamentos seguem pressionados. Os estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos registraram novo aumento, somando 2.446.058 sacas após acréscimo de 28.661 sacas, reforçando a percepção de oferta confortável no curto prazo. Do ponto de vista técnico, o índice de força relativa (RSI) recuou para a região de 39%, indicando perda de momentum e aproximação de níveis considerados próximos de sobrevenda.

No campo gráfico, o mercado passa a trabalhar com uma zona de suporte relevante na faixa de US$ 3.000 a US$ 2.800 por tonelada, enquanto as resistências se concentram entre US$ 3.300 e US$ 3.500. A perda consistente do patamar psicológico dos US$ 3.000 pode abrir espaço para movimentos adicionais de baixa, especialmente em um ambiente ainda marcado por fragilidade da demanda e elevados estoques.

No câmbio, o contrato futuro de Real por Dólar com vencimento em 30 de abril de 2026 é negociado a R$ 5,12, refletindo a leve descompressão do dólar no cenário internacional. Para o mercado brasileiro de cacau, esse movimento cambial, combinado com a pressão nas cotações internacionais, tende a manter o ambiente desafiador, especialmente diante do elevado volume de estoques locais e da fragilidade na demanda por derivados.

O cenário, portanto, segue sendo de ajuste. Apesar do alívio momentâneo no ambiente macroeconômico global, os fundamentos específicos do cacau continuam pesando sobre os preços, reforçando a necessidade de atenção redobrada por parte dos agentes da cadeia.

Fonte: mercadodocacau

Curtiu esse post? Compartilhe com os amigos!

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *