Costa do Marfim avança para encerrar crise de estoques de cacau após intervenção bilionária do governo

A intervenção do governo da Costa do Marfim para conter a crise de estoques no setor cacaueiro avança para sua fase final, após o regulador local e representantes dos produtores firmarem um novo acordo para recomprar parte dos volumes ainda retidos no interior do país.

O Conselho de Café e Cacau, em conjunto com a Organização Agrícola Interprofissional, confirmou a aquisição adicional de 23.830 toneladas métricas de cacau, medida que deve encerrar a chamada crise de estoques residuais. O movimento ocorre após meses de paralisação nas compras, que deixaram produtores sem capacidade de escoar sua produção.

A origem do problema remonta ao início do ano, quando exportadores interromperam aquisições devido ao descompasso entre o preço interno fixado pelo governo, em 2.800 francos CFA por quilo, e os níveis mais baixos praticados no mercado internacional. Com isso, cooperativas e agricultores passaram a acumular grandes volumes de amêndoas sem liquidez, gerando uma crise estimada inicialmente em cerca de 102 mil toneladas e exigindo um esforço financeiro da ordem de 291 bilhões de francos CFA, equivalente a aproximadamente 520 milhões de dólares.

Como resposta, o governo marfinense já havia anunciado a recompra de cerca de 100 mil toneladas de cacau junto às cooperativas, buscando restabelecer o fluxo de comercialização e reduzir os gargalos logísticos. Segundo Obed Blonde Doua, porta-voz da OIA, a nova cota de 23.830 toneladas representa a etapa final desse processo de absorção dos excedentes.

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Bruno Kone, reconheceu as limitações da intervenção estatal, destacando que não foi possível adquirir todos os volumes acumulados fora do inventário oficial. Como alternativa, o governo optou por antecipar o início da safra intermediária, tradicionalmente iniciada em abril, para o mês de março, com o objetivo de acelerar a absorção da oferta disponível.

De acordo com o diretor executivo do CCC, Yves Brahima Kone, a estratégia já apresenta resultados práticos. Mais de 71 mil toneladas de cacau foram entregues aos exportadores ao longo de março nos principais portos do país, indicando uma retomada gradual da atividade de compra e escoamento.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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