Tensão no Oriente Médio reacende volatilidade e sustenta recuperação do cacau em Nova York

A aparente trégua observada na última sexta-feira, após a reabertura do Estreito de Ormuz, mostrou-se frágil e de curta duração. O alívio inicial dos mercados rapidamente perdeu força diante de novos episódios de escalada militar envolvendo Irã e Estados Unidos ao longo do fim de semana, reacendendo incertezas e elevando o nível de aversão ao risco global.

Relatos de que tropas iranianas teriam aberto fogo contra petroleiros, somados à apreensão de um navio cargueiro iraniano por forças americanas, colocaram em xeque os termos do acordo que permitiu a reabertura temporária da hidrovia estratégica. A falta de clareza sobre os compromissos firmados entre as partes aumenta o risco de ruptura do cessar-fogo e devolve instabilidade ao cenário geopolítico.

Nesse ambiente, o mercado de commodities voltou a refletir maior cautela, e o cacau não ficou imune. Após recuar na sexta-feira em meio ao otimismo momentâneo, o contrato mais líquido com vencimento em julho voltou a subir nesta segunda-feira, reagindo às incertezas macroeconômicas e ao potencial impacto do conflito sobre fluxos logísticos, inflação global e comportamento cambial.

Na última sessão da semana, o contrato de julho encerrou cotado a US$ 3.280 por tonelada, registrando queda de US$ 175 no dia. A movimentação foi marcada por forte volatilidade, com preços oscilando entre a mínima de US$ 3.265 e a máxima de US$ 3.561. O volume negociado somou 55.615 contratos, distribuídos em 28.125 negócios, enquanto o interesse em aberto apresentou redução de 2.035 posições, totalizando 193.268 contrato, movimento que sugere realização de lucros e redução de exposição por parte dos participantes.

No campo fundamental, os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos recuaram em 5.511 sacas, atingindo o nível de 2.618.981 sacas. Apesar da queda pontual, o volume ainda se mantém elevado em termos históricos recentes, reforçando a percepção de conforto na disponibilidade física no curto prazo.

Do ponto de vista técnico, o Índice de Força Relativa (RSI) do contrato de julho segue na zona neutra, ao redor de 45%, indicando ausência de tendência clara no curto prazo. Os níveis de resistência permanecem concentrados entre US$ 3.700 e US$ 3.850, enquanto os suportes mais relevantes estão nas faixas de US$ 3.200 e US$ 3.000.

Outro fator que passa a ganhar atenção dos agentes de mercado é o início do período de liquidação física do contrato de maio, previsto para 24 de abril. Esse evento tende a trazer ajustes adicionais de posições e pode influenciar a dinâmica dos spreads e da curva futura nas próximas sessões.

Fonte: mercadodocacau

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