As exportações de cacau do Peru registraram forte retração no início de 2026, refletindo um cenário de normalização dos preços internacionais após o ciclo histórico de valorização observado no ano anterior. Dados da Câmara Peruana de Café e Cacau mostram que, entre janeiro e fevereiro, o país embarcou 7.711 toneladas de grãos, uma queda de 38,8% em relação às 12.605 toneladas exportadas no mesmo período de 2025.
O desempenho mensal indica volumes relativamente estáveis, com 4.830 toneladas exportadas em janeiro e 4.894 toneladas em fevereiro. Ainda assim, o impacto mais relevante veio do lado dos preços. A receita total das exportações despencou 68,8% no acumulado do ano, somando US$ 40,76 milhões (FOB), pressionada por uma queda de 49% no preço médio, que recuou para US$ 5.284,93 por tonelada.
O movimento marca uma inflexão após um 2025 excepcional, quando o Peru exportou 113.297 toneladas no acumulado do ano, crescimento de 17,03% sobre 2024. Segundo a entidade, a combinação de menor volume com preços significativamente mais baixos amplificou a perda de receita, sendo o fator preço o principal responsável pela contração observada em 2026.
No destino das exportações, a Países Baixos manteve a liderança, com 2.430 toneladas embarcadas, equivalentes a 31,52% do total. Em seguida aparecem os Estados Unidos, com 2.217 toneladas (28,77%), e a Itália, com 990 toneladas (12,96%). Completam o ranking a Bélgica, com 765 toneladas, e a Malásia, com 526 toneladas. Juntos, os cinco principais destinos responderam por quase 90% do volume exportado, evidenciando a alta concentração da pauta comercial peruana.
Além dos grãos, o país segue consolidando sua posição como fornecedor de derivados industriais de cacau. No primeiro bimestre, foram exportados mais de 7 milhões de quilos de subprodutos, gerando US$ 62,41 milhões em receita, com preço médio de US$ 8,82/kg.
O cacau em pó liderou em volume, com 2,44 milhões de kg, respondendo por 36,6% dos embarques, enquanto a manteiga de cacau, com 2,10 milhões de kg, foi o produto de maior valor agregado, gerando US$ 17,19 milhões. Juntos, esses dois itens representaram cerca de 67% da receita total do segmento, reforçando seu papel central na indústria local.
Outros produtos relevantes incluem bolo de cacau, chocolate, plumas e casca, com destaque para o bolo, que apresentou um dos maiores preços médios, atingindo US$ 12,60/kg.
No lado das importações, o Peru adquiriu 1,95 milhão de kg de subprodutos de cacau no mesmo período, totalizando US$ 16,82 milhões. O chocolate liderou com folga, somando mais de 1,2 milhão de kg importados, evidenciando uma dinâmica clara: o país exporta insumos intermediários e importa produtos finais de maior valor agregado.
Fonte: mercadodocacau com informações stonex


