Cacau segue em consolidação técnica mesmo diante de tensões globais

A combinação entre tensões geopolíticas e a resiliência dos mercados financeiros voltou a marcar o início da semana, reforçando um cenário cada vez mais dissociado entre risco global e comportamento dos ativos. Mesmo diante de um fim de semana turbulento, com impasses no Irã, retomada dos preços do petróleo e um episódio de violência em Washington envolvendo figuras próximas ao presidente Donald Trump, as bolsas, especialmente o setor de tecnologia, seguem sustentando movimento de alta.

No mercado de cacau, entretanto, o comportamento segue mais técnico e contido. O contrato mais líquido com vencimento em julho encerrou a última sexta-feira cotado a US$ 3.431, registrando leve recuo de US$ 27. A sessão foi marcada por volatilidade moderada, com mínima em US$ 3.384 e máxima em US$ 3.490. O volume negociado somou 21.842 contratos, enquanto o número de negócios foi de 11.232, indicando uma redução no engajamento dos participantes.

O interesse em aberto apresentou queda de 669 contratos, totalizando 195.094 posições, sinalizando uma leve redução na exposição dos agentes ao mercado no curto prazo. Esse movimento reforça a percepção de cautela, especialmente em um ambiente ainda marcado por incertezas quanto à demanda global por derivados.

Nos fundamentos físicos, os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos registraram nova queda, de 6.942 sacas, atingindo o patamar de 2.615.208 sacas. Apesar da retração, os níveis ainda são considerados confortáveis dentro do contexto atual de demanda enfraquecida.

O indicador técnico RSI (Índice de Força Relativa) para o contrato de julho permanece em 46,5%, dentro da zona neutra, o que reforça a ausência de um viés direcional mais claro no curto prazo.

No fluxo de entregas físicas, o contrato de maio registrou liquidação de 26 contratos, com participação de instituições como BNP Paribas, Société Générale e StoneX. A Société Générale foi a receptora de todos os contratos entregues no período. No acumulado, o volume já soma 551 contratos liquidados fisicamente, indicando uma participação ainda limitada no processo de entrega.

Do ponto de vista técnico, o mercado segue operando dentro de um intervalo bem definido. As resistências estão posicionadas na faixa entre US$ 3.600 e US$ 3.850, enquanto os suportes aparecem em US$ 3.200 e US$ 3.000. A ausência de gatilhos claros, especialmente do lado da demanda, mantém o mercado em compasso de espera.

Em meio a um cenário global dominado por avanços tecnológicos e tensões geopolíticas, o cacau segue dependente de fatores mais específicos da cadeia, com destaque para o ritmo de consumo e o comportamento das indústrias processadoras. Até que novos sinais de recuperação da demanda surjam, a tendência é de continuidade desse movimento lateralizado, com oscilações técnicas ditando o ritmo do mercado.

Fonte: mercadodocacau

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