Cacau testa estabilidade perto das mínimas com oferta confortável e demanda ainda enfraquecida

Por: Claudemir Zafalon

Os contratos futuros de cacau seguem negociados em uma faixa estreita ao redor de US$ 3.400 por tonelada, operando próximos dos menores níveis observados desde 2023. O comportamento lateral do mercado reflete um cenário de equilíbrio delicado entre expectativas de oferta mais confortável e sinais ainda consistentes de enfraquecimento da demanda global.

Do lado produtivo, as condições climáticas apresentaram melhora nas principais origens da África Ocidental, especialmente na Costa do Marfim e em Gana, sustentando perspectivas mais positivas para a produção. Ainda assim, o mercado acompanha com atenção a irregularidade das chuvas na Costa do Marfim, justamente em um momento crítico para o desenvolvimento da safra intermediária, que se estende de março a agosto.

Apesar dos relatos de bom enchimento dos frutos e de uma colheita que ganha intensidade, o que deve garantir volumes satisfatórios no curto prazo, sobretudo entre maio e junho, a persistência de períodos secos levanta preocupações. Caso o quadro climático não evolua, há risco de impactos sobre o rendimento e, principalmente, sobre a qualidade dos grãos na fase final da temporada.

No campo da demanda, o cenário segue pressionado. Dados recentes de moagem indicam continuidade da fraqueza nos principais centros consumidores, com retração tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Esse ambiente reforça a leitura de que o setor ainda atravessa um período de ajuste após o choque histórico de preços observado nos últimos ciclos.

No mercado financeiro, o contrato mais líquido com vencimento em julho encerrou o último pregão a US$ 3.380 por tonelada, registrando alta de US$ 84. A sessão apresentou volatilidade moderada, com mínima de US$ 3.309 e máxima de US$ 3.401. O volume negociado foi de 24.970 contratos, com 11.663 negócios realizados, enquanto o interesse em aberto recuou levemente em 350 contratos, totalizando 197.156.

Os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos avançaram em 6.822 sacas, alcançando 2.633.450 sacas, movimento que reforça a percepção de disponibilidade confortável no curto prazo.

Do ponto de vista técnico, o mercado segue sem definição clara de tendência. O RSI (Índice de Força Relativa) do contrato julho está em 48,5%, indicando uma condição neutra. As entregas físicas do contrato de maio permanecem acumuladas em 551 lotes, sem sinalizações relevantes de aperto logístico.

Os níveis técnicos continuam bem definidos, com resistências situadas entre US$ 3.600 e US$ 3.850, enquanto os suportes aparecem nas regiões de US$ 3.200 e US$ 3.000, patamares considerados estratégicos para o direcionamento do mercado nas próximas semanas.

No cenário macroeconômico, o dólar futuro opera estável na faixa de R$ 4,97, sem exercer pressão adicional relevante sobre os preços no curto prazo.

Fonte: mercadodocacau

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