O COCOBOD, órgão regulador do setor de cacau em Gana, acendeu um alerta sobre práticas ilegais que vêm ganhando espaço ao longo da fronteira com a Costa do Marfim. De acordo com a entidade, funcionários de empresas compradoras licenciadas estariam utilizando recursos públicos para adquirir grãos contrabandeados do país vizinho, em um movimento que ameaça tanto a renda dos produtores locais quanto a credibilidade do cacau ganense no mercado internacional.
A denúncia foi feita por Jake Kudjo Semahar, diretor de serviços especiais do COCOBOD, em entrevista à Reuters. Segundo ele, a prática já foi identificada em quatro regiões fronteiriças e marca uma mudança relevante no padrão histórico de contrabando na África Ocidental. Tradicionalmente, o fluxo ilegal ocorria no sentido inverso, com grãos de Gana sendo desviados para países vizinhos em busca de melhores preços.
A inversão do fluxo levanta preocupações adicionais para o governo ganense, especialmente porque envolve o uso indevido de fundos estatais. Além de enfraquecer o sistema oficial de comercialização, o esquema pode reduzir a renda dos agricultores locais, que passam a enfrentar concorrência desleal dentro do próprio país.
O tema ganha ainda mais relevância diante do posicionamento de Gana como um dos principais fornecedores globais de cacau de qualidade superior. Qualquer distorção no controle de origem e rastreabilidade pode comprometer a imagem do produto ganense, justamente em um momento em que exigências internacionais por transparência e sustentabilidade estão mais rigorosas.
No mercado internacional, o comportamento dos preços segue relativamente estável. O contrato futuro de cacau com vencimento em julho encerrou o último pregão cotado a US$ 3.410 por tonelada, com alta de US$ 30. A variação intradiária ficou entre US$ 3.305 e US$ 3.449, refletindo um ambiente de baixa volatilidade.
O volume negociado somou 21.475 contratos, enquanto o número de negócios atingiu 10.497. O interesse em aberto registrou leve avanço, totalizando 197.168 contratos, sinalizando manutenção do posicionamento dos agentes no mercado.
Os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange apresentaram aumento de 9.561 sacas, alcançando 2.643.011 sacas nos portos dos Estados Unidos. O crescimento reforça a percepção de oferta confortável no curto prazo.
No mercado físico, as entregas do contrato de maio seguem limitadas. Foram registrados 12 contratos entregues pela StoneX, com recebimento pela Societe Generale. O acumulado de liquidações físicas já soma 563 contratos.
Do ponto de vista técnico, o mercado permanece sem direção clara. O índice de força relativa (RSI) do contrato julho está em 51,5%, indicando neutralidade. As resistências seguem entre US$ 3.500 e US$ 3.850, enquanto os suportes estão nas regiões de US$ 3.300 e US$ 3.000.
No câmbio, o contrato futuro do real com vencimento em 30 de junho foi negociado próximo de R$ 5,02 por dólar, mantendo-se como variável relevante na formação de preços e na competitividade das origens exportadoras.
Fonte: mercadodocacau


