Cacau dispara e mercado revive clima de tensão sobre oferta global

Por: Claudemir Zafalon

Os contratos futuros de cacau voltaram a registrar forte valorização nesta quinta-feira, em um movimento que reacendeu no mercado a sensação de “déjà vu” observada durante os períodos mais intensos de volatilidade dos últimos anos. O avanço das cotações ocorre em meio à cobertura de posições vendidas por fundos e operadores, associada ao aumento das preocupações climáticas e aos riscos de aperto na oferta global para a safra 2026/27.

O contrato julho encerrou o pregão de quarta-feira cotado a US$ 4.135 por tonelada, com alta de US$ 61 no dia. Durante a sessão, o mercado oscilou entre a mínima de US$ 4.044 e a máxima de US$ 4.294, sinalizando elevada volatilidade e forte disputa entre compradores e vendedores.

O volume negociado voltou a ganhar força, com 24.474 negócios realizados e movimentação total de 51.632 contratos. Ao mesmo tempo, o interesse em aberto caiu em 2.039 contratos, para 198.321 lotes, movimento interpretado pelo mercado como sinal claro de cobertura de posições vendidas (“short covering”), fator que costuma acelerar movimentos de alta quando há deterioração das perspectivas de oferta.

O mercado volta a incorporar prêmios climáticos relevantes diante das incertezas sobre o desenvolvimento da próxima safra na África Ocidental. Operadores acompanham com atenção relatos de irregularidade das chuvas em partes da Costa do Marfim e de Gana, além das preocupações crescentes relacionadas ao possível retorno de padrões climáticos adversos ligados ao El Niño nos próximos meses.

Embora a atual temporada ainda apresente disponibilidade relativamente confortável de amêndoas em algumas regiões, o foco dos investidores começa a migrar para o ciclo 2026/27, num momento em que o setor já enfrenta fragilidade financeira entre produtores, dificuldades de investimento em manejo e incertezas sobre a capacidade de recuperação estrutural da oferta global.

Outro fator que ajudou a sustentar o movimento altista foi a nova redução dos estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos. Os volumes caíram 2.350 sacas, totalizando 2.665.410 sacas certificadas. Apesar de os estoques ainda permanecerem em níveis historicamente mais elevados que os registrados durante o pico da crise de oferta, o mercado observa atentamente qualquer sinal de retomada de aperto logístico ou físico.

No mercado técnico, o RSI (Índice Relativo de Força) do contrato julho atingiu 78%, indicando condição de mercado sobrecomprado no curto prazo. Ainda assim, analistas avaliam que o atual movimento pode continuar enquanto persistirem as recompras de posições vendidas e os riscos climáticos permanecerem no radar.

Os próximos níveis de resistência são observados em US$ 4.550 e US$ 4.650 por tonelada. Já os suportes técnicos estão localizados em US$ 3.800 e US$ 3.500.

No câmbio, o contrato futuro do real com vencimento em maio operava mais fraco nesta manhã, ao redor de R$ 4,94 por dólar. A desvalorização da moeda brasileira tende a elevar a competitividade das exportações e pode influenciar diretamente a formação de preços no mercado físico doméstico.

Fonte: mercadodocacau

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