O mercado brasileiro de chocolates poderá passar por uma mudança histórica na forma de comunicação com o consumidor. Um projeto de lei aprovado pelo Senado Federal e pela Câmara dos Deputados prevê o fim da utilização dos termos “amargo” e “meio amargo” nas embalagens de chocolates comercializados no país.
A proposta, que ainda aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelece novas regras para classificação dos produtos derivados de cacau e obriga as empresas a substituírem expressões consideradas subjetivas pelo percentual real de cacau presente na formulação.
Na prática, chocolates atualmente vendidos como “meio amargo” ou “amargo” continuarão existindo, mas não poderão mais utilizar essas nomenclaturas nos rótulos. Os produtos passarão a ser identificados principalmente pela concentração efetiva de cacau, em uma tentativa de padronizar a comunicação e aumentar a transparência para o consumidor.
O texto cria uma nova categoria chamada “chocolate intenso”, destinada aos produtos com maior teor de cacau. Para se enquadrar nela, será necessário conter acima de 35% de sólidos totais de cacau.
Segundo defensores da proposta, os termos “amargo” e “meio amargo” nunca tiveram regulamentação técnica específica no Brasil e acabaram sendo utilizados livremente pela indústria, muitas vezes sem uma relação clara entre o nome do produto e o percentual efetivo de cacau.
A medida busca combater situações em que chocolates com baixo teor de cacau utilizam nomenclaturas associadas à ideia de maior qualidade ou maior intensidade de sabor.
A proposta vem gerando forte debate dentro do setor chocolateiro. Parte da indústria avalia que a retirada dos termos “amargo” e “meio amargo” pode causar estranhamento inicial entre os consumidores, já acostumados há décadas com essas classificações.
Entidades do setor também argumentam que as empresas ainda estão absorvendo os custos das mudanças recentes de rotulagem nutricional implementadas pela Anvisa.
Por outro lado, especialistas defendem que a mudança representa avanço importante em transparência e qualidade, especialmente diante do crescimento do consumo de chocolates premium e da maior exigência dos consumidores por informações claras sobre composição e origem dos produtos.
Fonte: mercadodocacau com informações diariodocomercio


