Comentário semanal de cacau – 05/04/2026

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Cacau dispara e se ultrapassa os US$ 4.000/ton

Entre 27 de abril e 4 de maio, os preços futuros do cacau registraram forte movimento de valorização nos principais mercados internacionais, revertendo parte da acomodação observada nas semanas anteriores. Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em julho de 2026 avançou cerca de 20,5%, superando novamente a faixa de US$ 4.000 por tonelada, enquanto em Londres o contrato equivalente subiu 20,8%, em 3.068 GBP/ton.

O movimento marca uma mudança importante em relação ao comportamento observado na semana anterior, quando os contratos ainda oscilavam dentro de uma faixa relativamente estreita, próximos de US$ 3.000 por tonelada em Nova Iorque. Na ocasião, o mercado parecia encontrar limites tanto para avanços mais consistentes quanto para novas quedas, em meio à combinação entre perspectiva de superávit global, demanda ainda enfraquecida e manutenção de riscos produtivos no Oeste Africano.

Neste início de semana, contudo, a dinâmica mudou de forma abrupta. As altas acumuladas em dois pregões superaram 15% em parte relevante dos contratos, tanto em Nova Iorque quanto em Londres, sugerindo que o movimento foi impulsionado não apenas por uma alteração marginal dos fundamentos, mas também por fatores técnicos de mercado.

Nesse contexto, a posição vendida elevada dos agentes especulativos parece ter exercido papel central. Com os fundos mantendo uma das maiores exposições líquidas vendidas desde 2019, qualquer notícia capaz de alterar parcialmente a leitura baixista predominante poderia funcionar como gatilho para recompras forçadas de contratos, intensificando a alta dos preços.

Ainda que nenhum fator isolado pareça suficiente para explicar a magnitude do movimento, a combinação de diferentes vetores altistas contribuiu para a reação dos contratos. Entre eles, destacam-se a revisão para baixo dos superávits estimados pela StoneX para as safras 2025/26 e 2026/27, os resultados melhores do que o esperado de grandes empresas de confeitaria, a leve piora dos indicadores climáticos em Gana e na Costa do Marfim e a persistência de riscos financeiros nos principais produtores do Oeste Africano.

No último relatório semanal, discutimos também em maior detalhe como as dificuldades financeiras enfrentadas pelos órgãos estatais de cacau em Gana e na Costa do Marfim podem penalizar a capacidade de financiamento da cadeia produtiva e comprometer investimentos necessários para sustentar a produtividade já na próxima safra, que se inicia em outubro. Além disso, a ausência de uma resolução mais clara para o conflito no Oriente Médio segue elevando preocupações com custos de combustíveis e fertilizantes, o que também pode afetar os custos de produção e o manejo das lavouras ao longo da próxima temporada.

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