A irregularidade das chuvas na Costa do Marfim voltou a acender o sinal de alerta no mercado global de cacau. Agricultores das principais regiões produtoras do país relataram nesta segunda-feira preocupação crescente com a possibilidade de uma safra intermediária menor e de qualidade inferior, justamente no momento em que a colheita entra em sua fase decisiva.
Maior produtor mundial de cacau, a Costa do Marfim atravessa oficialmente sua estação chuvosa, período que normalmente se estende de abril até meados de novembro. No entanto, as precipitações seguem abaixo da média em grande parte das áreas produtoras, comprometendo a umidade do solo e elevando o estresse hídrico sobre as lavouras.
Segundo produtores locais, apenas a região de Daloa, no centro-oeste do país, apresentou volumes de chuva acima da média histórica na última semana. Nas demais áreas produtoras, o cenário permanece preocupante, principalmente diante da necessidade de umidade adequada para garantir o enchimento e desenvolvimento dos grãos durante as próximas semanas.
Agricultores afirmam que o período até o final de junho será determinante para o potencial produtivo da safra intermediária, cuja colheita se concentra entre julho e agosto. A avaliação no campo é de que as próximas duas semanas podem definir o tamanho final dos grãos e o volume efetivo da produção.
Apesar de ainda existir boa quantidade dos frutos nas árvores, sustentando a colheita até o início de julho, os produtores alertam que a continuidade do clima seco pode limitar o rendimento das plantações e reduzir a qualidade física dos grãos.
Nas regiões de Soubré, Agboville, Divo e Abengourou, importantes polos produtores do oeste, sul e leste marfinense, agricultores relataram queda acentuada na umidade do solo em função do calor elevado e das chuvas insuficientes.
“É hora de chover, caso contrário as árvores ficarão sem água suficiente”, afirmou Kouassi Kouame, produtor próximo a Soubré. A região recebeu apenas 15,2 mm de chuva na última semana, volume 13,4 mm abaixo da média registrada nos últimos cinco anos.
Em áreas centrais como Bongouanou e Yamoussoukro, onde as chuvas também ficaram abaixo do normal, produtores disseram que a presença persistente de nuvens pode indicar uma melhora climática nos próximos dias. Em Bongouanou, por exemplo, foram registrados apenas 8,1 mm de precipitação na semana passada, 15,5 mm abaixo da média histórica.
Enquanto isso, as condições mais secas vêm favorecendo temporariamente o processo de secagem pós-colheita, permitindo melhor manejo dos grãos já colhidos. Mesmo assim, o mercado segue atento ao impacto climático sobre o restante da safra, especialmente diante do histórico recente de forte volatilidade nos preços internacionais do cacau.
As temperaturas semanais nas regiões produtoras variaram entre 29°C e 32,9°C, níveis considerados elevados para o período e que ampliam a evaporação da umidade no solo.
O cenário climático na África Ocidental permanece como um dos principais fatores de sustentação dos preços futuros do cacau nas bolsas internacionais, em um momento em que o mercado já monitora riscos associados ao possível retorno do fenômeno El Niño e aos desafios financeiros enfrentados pelos produtores da região.
Fonte: mercadodocacau com informações reuters


