Associação de mulheres de Mutuípe fortalece agroindústria do cacau e amplia presença no mercado com apoio estadual

Um grupo de mulheres agricultoras do interior da Bahia vem transformando a produção artesanal de derivados de cacau em uma fonte crescente de renda, empreendedorismo e fortalecimento social. Em Mutuípe, no Vale do Jiquiriçá, a Associação das Mulheres Agricultoras da Comunidade de Duas Barras do Fojo avança na consolidação de sua agroindústria com apoio de investimentos do Governo da Bahia voltados à agricultura familiar e à agregação de valor à produção rural.

A iniciativa, apoiada por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), tem impulsionado a modernização da unidade produtiva e ampliado a capacidade comercial da associação, que atualmente reúne 40 mulheres e projeta alcançar cerca de 90 associadas até o fim de 2026.

O fortalecimento da estrutura produtiva ocorreu após a entidade ser contemplada em edital estadual voltado a agroindústrias ativas, passando a contar com suporte técnico especializado para aprimorar a gestão do empreendimento e ampliar sua inserção comercial.

Além do apoio na gestão, os investimentos também alcançaram a base produtiva. A associação passou a implantar quintais agroflorestais, modelo que integra produção agrícola, conservação ambiental e diversificação econômica. Nesses sistemas, além do cacau, são cultivadas espécies alimentícias, medicinais, aromáticas, condimentares e plantas utilizadas no artesanato, além da possibilidade de criação de pequenos animais.

Segundo a presidente da associação, Damiana Martins, a chegada de equipamentos industriais representou uma mudança estrutural no processo de fabricação. Máquinas como melanger, torrefador, forno para torra e descascador de nibs reduziram o trabalho manual e elevaram a eficiência operacional.

Antes, etapas como a retirada da casca das amêndoas eram feitas manualmente. Hoje, a unidade conta com equipamento com capacidade para processar até 20 quilos por hora, permitindo maior escala, padronização e melhor organização da produção.

Com foco na agregação de valor ao cacau, a associação vem construindo um portfólio diversificado, com produtos como cocadas finas, barrinhas veganas de cacau, cupulate e trufas artesanais.

A comercialização já ultrapassa os limites de Mutuípe. Além da feira organizada mensalmente pela própria entidade na Praça Góes Calmon, no centro da cidade, os produtos também circulam em feiras regionais, eventos especializados e pontos comerciais em municípios como Amargosa e Santo Antônio de Jesus. Em Salvador, a produção chega ao Mercado do Rio Vermelho, enquanto encomendas já alcançam até o estado de São Paulo.

A demanda costuma ganhar força em datas comemorativas, especialmente durante Páscoa, São João e Natal, períodos que concentram maior fluxo de pedidos.

Agora, a associação se prepara para uma nova etapa de crescimento.

Entre os projetos em andamento está o lançamento de um chocolate em pó artesanal, produto desenvolvido pela própria entidade e que deverá entrar em produção após a conclusão das obras de requalificação da unidade industrial, também financiadas pela CAR.

Paralelamente, a associação trabalha no reposicionamento de marca, com desenvolvimento de nova identidade visual e embalagens reformuladas, estratégia considerada essencial para ampliar competitividade e facilitar a entrada em novos mercados.

A visibilidade comercial também deve ganhar impulso nas próximas semanas. Os produtos da associação já têm presença confirmada no Bahia Origem Week, evento voltado à valorização dos produtos de origem baianos, realizado em Salvador, além da participação no 8º Festival do Chocolate de Ipiaú, uma das principais vitrines do setor no estado.

Fonte: mercadodocacau com informações ba.gov.br

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