O governo federal deu mais um passo importante para fortalecer a cacauicultura brasileira e posicionar o país como referência mundial em produção sustentável. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), lançou oficialmente o Projeto Cacau Brasil Agrofloresta, iniciativa que contará com investimentos de US$ 30,9 milhões destinados à expansão de sistemas agroflorestais nos estados da Bahia e do Pará.
O projeto foi apresentado nesta semana em Belém (PA) e também na Bahia, estados que concentram a maior parte da produção nacional de cacau. A iniciativa conta com apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e financiamento do Fundo Verde para o Clima (GCF), reforçando a integração entre desenvolvimento econômico, preservação ambiental e adaptação às mudanças climáticas.
Segundo o Mapa, o programa busca promover a implantação de sistemas agroflorestais baseados na cultura do cacau, incentivando modelos produtivos que conciliam geração de renda, conservação da biodiversidade e captura de carbono. A proposta está alinhada aos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil e às metas previstas nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), além de dialogar diretamente com programas estratégicos como o ABC+ e o recém-instituído Plano Inova Cacau 2030.
Durante o lançamento, o secretário-executivo adjunto do Ministério da Agricultura, Fábio Rodrigues, destacou a importância econômica e social da cadeia produtiva do cacau para o desenvolvimento sustentável do país. Segundo ele, o fortalecimento da produção passa não apenas pelo aumento da produtividade, mas também pela valorização da qualidade do cacau brasileiro e pela capacitação dos produtores para adoção de práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis.
O secretário de Desenvolvimento Rural do Mapa, Marcelo Fiadeiro, ressaltou o papel histórico da cacauicultura para milhares de famílias brasileiras e destacou a relevância da Bahia e do Pará na construção da produção nacional. Segundo ele, a Ceplac continuará desempenhando papel fundamental no apoio técnico e institucional ao setor.
Os recursos previstos para o projeto somam US$ 23,1 milhões provenientes do Fundo Verde para o Clima, complementados por US$ 7,8 milhões de cofinanciamento, totalizando US$ 30,9 milhões. As ações serão executadas ao longo de 48 meses e contemplarão áreas localizadas nos biomas Amazônia e Mata Atlântica.
Entre os principais resultados esperados estão a implantação de 12,5 mil hectares de sistemas agroflorestais, a redução estimada de 5,18 milhões de toneladas de CO₂ equivalente e o atendimento direto de aproximadamente 69 mil beneficiários, além de impactos indiretos sobre cerca de 397 mil pessoas.
Durante a apresentação do projeto, o diretor da Ceplac, Thiago Guedes, destacou a crescente expansão da cultura do cacau no território nacional. Segundo ele, o Brasil possui atualmente cerca de 620 mil hectares cultivados com cacau, distribuídos em seis grandes estados produtores, além da expansão da atividade para mais de 26 unidades da federação. O dirigente ressaltou que o projeto surge como uma resposta aos desafios globais relacionados à segurança alimentar e às mudanças climáticas, fortalecendo o papel da agricultura como parte da solução para essas questões.
O modelo agroflorestal adotado pelo programa é considerado estratégico por combinar produção agrícola com conservação ambiental, promovendo recuperação de áreas, sequestro de carbono, diversificação de renda e maior resiliência das lavouras frente aos eventos climáticos extremos.
Fonte: mercadodocacau com informações comprerural


